Entidades denunciam manipulação eleitoral nos EUA após decisão da Suprema Corte


Organizações de direitos civis e lideranças do movimento negro dos Estados Unidos criticaram a decisão da Suprema Corte que derrubou o mapa eleitoral do estado da Louisiana. Para os grupos, a medida representa um retrocesso democrático e pode ampliar a manipulação política dos distritos eleitorais no país.

Por seis votos a três, a maioria conservadora da Corte entendeu que o desenho atual dos distritos utilizava excessivamente critérios raciais. Com isso, áreas de maioria negra deverão ser rediscutidas, alterando a representação política no Congresso norte-americano.

A decisão gerou forte reação de entidades históricas. O presidente da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP), Derrick Johnson, afirmou que a democracia do país “clama por socorro” e classificou a decisão como um ataque ao direito ao voto.

Segundo especialistas, a mudança pode beneficiar o Partido Republicano e o presidente Donald Trump, especialmente em estados onde eleitores negros e latinos costumam votar majoritariamente nos democratas.

Após a decisão, o governador da Louisiana, Jeff Landry, cancelou as primárias partidárias previstas para maio para permitir a reformulação dos distritos antes da votação.

Trump comemorou publicamente o resultado. “Esse é o tipo de decisão que eu gosto”, declarou o presidente. Em seguida, também incentivou outros estados a revisarem seus mapas eleitorais para favorecer republicanos.

A prática de redesenhar distritos para obter vantagem política é conhecida como gerrymandering. Nos últimos anos, estados como Texas, Flórida, Missouri e Califórnia também revisaram seus mapas eleitorais, ampliando a disputa jurídica e política sobre representação.

Especialistas avaliam que parte dos efeitos pode surgir já nas eleições legislativas de novembro de 2026, mas impactos maiores tendem a aparecer nos próximos ciclos eleitorais, incluindo a eleição presidencial de 2028.

O debate sobre distritos eleitorais é central no sistema americano, que adota o voto distrital. Nesse modelo, cada região elege um representante, o que torna o desenho geográfico das áreas decisivo para o resultado político.

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