Envolvido em caso da Chacina do Cauamé é condenado a 66 anos de prisão



A Justiça de Roraima condenou Mocélio Pereira Linhares a 66 anos de reclusão por homicídio qualificado em um processo ligado à Chacina do Cauamé, um dos crimes mais violentos já registrados no estado. A decisão foi proferida pelo Tribunal do Júri Popular de Boa Vista nesta quinta-feira (30), em sessão presidida pelo juiz substituto Thiago Russi Rodrigues, na 1ª Vara do Tribunal do Júri e da Justiça Militar.

Segundo a decisão, os sete jurados reconheceram a autoria e a materialidade dos crimes. A maioria decidiu pela condenação e acolheu as qualificadoras apontadas pelo Ministério Público, que incluíram motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas.

Mocélio foi condenado por sete homicídios consumados e dois homicídios tentados. Na sentença, o juiz destacou o aumento da pena em razão das qualificadoras reconhecidas pelo júri. O ponto central foi a aplicação da continuidade delitiva qualificada, já que os crimes foram considerados uma sequência no mesmo contexto, o que permitiu a unificação das penas e resultou na condenação final de 66 anos de prisão em regime inicial fechado.

A defesa do réu ainda pode recorrer da decisão em instâncias superiores.

Chacina do Cauamé

O crime ocorreu no dia 05 de novembro de 2000 na praia do balneário Cauamé, no trecho norte da BR-174. Na ocasião, sete adolescentes e jovens, com idades entre 13 e 21 anos, foram brutalmente assassinados às margens do rio Cauamé após um ataque.

Outros dois jovens acabaram sobrevivendo à ação, mesmo feridos. Um deles se fingiu de morto e uma jovem conseguiu fugir e ser socorrida por um homem que a levou até o Pronto Socorro, no Hospital-Geral de Roraima (HGR).

Durante a chacina, os criminosos obrigaram os jovens a deitarem no chão. Em seguida, com requintes de crueldade e armados com revólveres e facas iniciaram a execução das vítimas. O fato gerou repercussão nacional pela crueldade dos crimes.

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Os jovens H.S.N., E.S.L., J.C., R.A.S., R.A.S., T.M.F.R., G.A.L.S., R.S.V., e R.A.S. foram executados com aproximadamente 80 facadas e seis tiros.

Após a investigação e andamento do processo, segundo o Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR), foi constatado que Mocélio era cunhado de Silvino Lopes, à época apontado como mandante do crime. Ao lado do ex-policial civil Wellington Gentil e de mais um acusado, que na época era adolescente e teria participado do crime, eles teriam agido de forma premeditada.

Em 2016, Silvino Lopes foi absolvido em júri, enquanto Wellington foi condenado a 115 de reclusão, e hoje cumpre pena na Cadeia Pública de Boa Vista (CPBV). Mocélio foi preso em 2019 em São Paulo e o outro acusado nunca foi localizado.



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