O Imparcial chega a 100 anos de história


Há 100 dias, começávamos a contagem regressiva para os 100 anos do jornal O Imparcial. E esse dia chegou. Hoje, 1º de maio, O Imparcial entra para o seleto grupo de jornais impressos com veiculação diária e ininterrupta ao longo de um século.

Ao longo desse período, muito foi feito até a culminância do centenário, marcada por uma edição histórica. Durante esses dias, não apenas a redação se mobilizou com o entusiasmo e a responsabilidade que a efeméride exige, com reportagens especiais, resgates históricos e depoimentos marcantes, como também parceiros e colaboradores que contribuíram direta e indiretamente para a edição publicada neste 1º de maio.

Além disso, eventos comemorativos já foram realizados e outros ainda ocorrerão ao longo do ano, compondo a programação alusiva à data. Um exemplo é a Sessão Solene em homenagem aos 100 anos do jornal O Imparcial, que será realizada na Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão, no próximo dia 7 de maio, às 11h. Na ocasião, o veículo será homenageado com o reconhecimento como Patrimônio de Natureza Cultural Imaterial do Estado.

Para marcar a contagem regressiva, O Imparcial publicou diariamente, tanto no jornal impresso quanto nas redes sociais oficiais, uma foto histórica veiculada ao longo desses quase 100 anos, retratando fatos marcantes da história do Maranhão. Toda a curadoria desse material integrará uma exposição itinerante prevista para este ano ainda.

Fundado em 1926, O Imparcial acompanhou de perto as transformações políticas, sociais e culturais do estado e do país. De um Maranhão ainda marcado pela forte influência agrária ao crescimento urbano de São Luís, o jornal foi testemunha e narrador de mudanças profundas, mantendo o compromisso com a informação precisa, o jornalismo ético e a pluralidade de vozes.

Confira a entrevista com Celio Sergio, diretor executivo do jornal.

O IMPARCIAL – Como você avalia a chegada de O Imparcial aos 100 anos? O senhor está há mais de três décadas no jornal. Como foi alcançar esse centenário?

CELIO SERGIO – Primeiro, digo que tenho a sorte de fazer parte da geração que vivenciou a transição do analógico para o digital. Saímos de processos manuais, de apertar botões e girar manivelas, para uma realidade completamente digital. Hoje, há uma geração que sequer conhece como o jornal era produzido no passado. Ao longo dos meus 35 anos na equipe de O Imparcial, acompanhei essa transformação.

“É possível inovar preservando a tradição”

A comunicação mudou drasticamente. Passamos do texto impresso para formatos como legendas em redes sociais, o que se tornou corriqueiro. Ao mesmo tempo, isso valorizou o jornalista, porque o jornalismo exige técnica. Há informação por todos os lados, mas nem tudo é notícia. Nosso papel é justamente transformar informação em notícia, com responsabilidade. Ao longo desses 100 anos, isso foi possível graças a uma equipe qualificada, formada por profissionais competentes, que garantiram credibilidade ao jornal e nos trouxeram até este centenário, com fôlego para muitos outros.

Diante das mudanças tecnológicas, qual é o papel do jornal impresso em um cenário de informação imediata?

O jornal impresso tem hoje um papel ainda mais relevante, que é o de não se limitar ao factual. A cobertura em tempo real acontece no digital, e nós fazemos isso no online. Já no impresso, entregamos análise, contexto e aprofundamento. No dia seguinte a um jogo, por exemplo, o leitor não encontrará apenas o resultado, mas a análise da partida e suas consequências. Esse é o diferencial: transformar o fato em compreensão. E há também a credibilidade de um veículo centenário.

Além disso, há o papel de registro histórico…

Exatamente. O impresso se consolidou como registro histórico. Existe uma curadoria: nem tudo que está na internet cabe em uma página de jornal. É preciso selecionar. Um acontecimento relevante precisa ser registrado, por exemplo: um avião caiu, precisa dar porque fica o registro histórico, então tem essa curadoria. Impresso é eternizar. É uma mídia que tem seu valor. Está registrado para a história. pois se torna documento histórico. O impresso eterniza os fatos.

O jornal realizou recentemente um evento com influenciadores. Como tem sido a repercussão?

Os influenciadores complementam nossa atuação multiplataforma. Estamos presentes em diferentes canais, cada um com sua linguagem e expertise. Ao mesmo tempo, buscamos integrar tradição e inovação, valorizando nosso acervo histórico. A gente tem 100 anos de história e todos os dias houve registros. Então, por exemplo, eu tenho a edição do dia que você nasceu, se você tiver menos de 100 anos. E a gente vem presenteando essas pessoas com a capa do jornal do dia que elas nasceram. É uma lembrança histórica que tem gerado grande repercussão.

Que mensagem o senhor deixa para os novos jornalistas?

Hoje, o acesso à informação é o maior da história, mas isso não significa conhecimento. É preciso desenvolver repertório, senso crítico e capital intelectual. Grandes nomes que passaram pelo jornal tinham isso. Então quando você tinha um Ferreira Gullart escrevendo, você sabia que ia ter alguma coisa muito interessante, César Teixeira, Ester Marques, Henrique Bóis e tantos outros jornalistas que já passaram por aqui, são pessoas com capital intelectual que somavam, com certeza, para o texto.

O jornalista precisa transformar informação em conteúdo próprio, qualificado. Copiar não diferencia ninguém. O texto continua sendo o grande diferencial. Um jornalista sem conteúdo intelectual é como um arqueiro sem flecha. E O Imparcial, eu quero destacar, valoriza a academia. Não tem como botar para escrever no jornal sem ser jornalista.

As comemorações seguem ao longo do ano?

Sim. Teremos uma programação extensa em 2026. Começamos com esta edição especial contando sobre o nosso papel diante da sociedade e vocês vão poder acompanhar uma edição histórica. E teremos eventos como a homenagem na Assembleia Legislativa. Agradecemos ao governador Carlos Brandão e a senhora Iracema Vale, presidente da Assembleia, pela honraria concedida ao Jornal. Esse reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial representa não apenas o jornal, mas toda a história do jornalismo construída ao longo desses anos. Também realizaremos exposições itinerantes e outras ações.

E o futuro?
O novo não precisa eliminar o que já existe. É possível inovar preservando a tradição. A gente vai se renovando, assim como a humanidade, ela traz as novidades, a gente também. O jornal se mantém relevante porque dialoga com a sociedade. Essa relação é o que nos trouxe até aqui, neste centenário, e é o que garantirá nossa continuidade.



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