Por RODRIGO ÍNDIO, de Santana (AP)
Menos de dois meses após o assassinato de Anna Paula Viana Rodrigues, de 19 anos, a Justiça condenou o acusado do crime a 33 anos e nove meses de prisão em regime fechado. A decisão foi proferida nesta quarta-feira (29), durante audiência de instrução e julgamento realizada no Fórum de Santana, no Amapá. O processo teve andamento considerado célere. Durante a audiência, o juiz Julle Anderson ouviu testemunhas, analisou as provas e concluiu que já havia elementos suficientes para a sentença.
O réu, Cláudio Pacheco, de 42 anos, conhecido como “Coringa”, já possuía condenação por feminicídio e estava foragido. Ele foi responsabilizado por um conjunto de crimes que inclui roubo com resultado morte, violência sexual e tentativa de manipulação de fraude processual ao modificar a cena do crime. Na sentença, o magistrado lembrou que o criminoso monitorou a loja até perceber que encontraria a jovem sozinha no estabelecimento, e que permaneceu no local por 23 minutos. Nesse tempo, ele abusou da jovem que resistiu como pôde. Resíduos de pele foram encontrados nas unhas dela. Anna Paula foi estrangulada.

Parentes e amigos foram ao fórum durante a audiência. Fotos: Rodrigo Índio/Portal SN

Anna Paula era estudante da Unifap
Em depoimento, o delegado do caso disse que disse “que o réu colocou tinta nas mãos da vítima com a finalidade de mascarar eventual DNA sob as unhas, mas o exame confirmou a presença de material genético, demonstrando que a vítima lutou para não ser violentada. Concluiu que restaram evidenciados os crimes de latrocínio, estupro mediante ato libidinoso e fraude processual e que Cláudio estava foragido do IAPEN e que não havia registros nos sistemas processuais acerca da fuga, o que evidenciaria falha de comunicação institucional”.

Loja onde Anna Paula trabalhava e foi rendida por Coringa…Fotos: Rodrigo Índio/Portal SelesNafes.com (SN)

Coringa foi preso no mesmo dia
O deixar o local, Coringa tentou alterar a cena do crime arrancando o equipamento de wi-fi. Ele fugiu com as chaves da loja e o celular da vítima, que foi trocado por drogas em uma boca de fumo. A defesa pediu que fosse aplicado o atenuente da confissão para que houvesse a redução da pena.
Sonhos interrompidos
Anna Paula era estudante de Ciências Biológicas na Universidade Federal do Amapá (Unifap) e trabalhava em uma loja no centro de Santana. Ela foi morta no dia 9 de março, dentro do próprio local de trabalho, em um caso que causou forte repercussão na cidade. Na manhã da audiência, familiares, amigos e representantes de movimentos sociais se reuniram em frente ao fórum pedindo justiça. Vestidos com camisas com a foto da jovem e carregando faixas, os manifestantes acompanharam o julgamento. Durante o ato, a tia da vítima, Rosalina Pinheiro, falou em nome da família:
“Na verdade, são dias muito difíceis. É um dia de cada vez. A gente continua se fortalecendo na fé. Existe um sentimento de revolta, muitas perguntas ainda sem resposta. Nós confiamos na justiça dos homens e temos certeza de que ele vai receber a pena máxima pelo que fez. Os primeiros dias foram muito difíceis, até para sair da cama. A dor continua. Toda segunda-feira, no horário em que ela morreu, o coração dispara”, relatou emocionada.

Rosalina: confiamos na justiça dos homens
Integrantes da Rede de Proteção à Mulher também participaram da mobilização. A representante dos atos, Ester de Paula, destacou a importância da decisão:
“A justiça veio como um sol do meio-dia. É um acalanto para a família, mas não traz a vítima de volta”, afirmou.
Segundo a Polícia Civil, o acusado foi preso no mesmo dia do crime, no bairro Elesbão, após ser identificado por imagens de câmeras de segurança. Com ele, foram encontrados objetos da vítima e roupas utilizadas na ação.