O perigo mora na ausência de sintomas. Sem aviso prévio, a pressão alta desgasta o organismo, danifica artérias e prepara o terreno para eventos catastróficos no coração e no cérebro.
Neste domingo, 26 de abril, celebra-se o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, uma data que ganha contornos de urgência diante dos indicadores recentes.
De acordo com o Ministério da Saúde, em 2025, o Brasil contabilizou quase 350 mil mortes por doenças vasculares. No Acre, o impacto dessa estatística foi severo: 953 óbitos registrados, uma média de quase três mortes por dia devido a complicações que, em grande parte, poderiam ser evitadas.
A armadilha do silêncio
A hipertensão é considerada uma doença silenciosa justamente por não apresentar sinais claros até que o dano seja grave. “Ela pode causar lesões progressivas nos órgãos-alvo, como coração e cérebro, mesmo antes do surgimento de sintomas”, alerta o médico intensivista Fábio Basílio. Segundo o especialista, muitos pacientes só descobrem a condição após um infarto ou AVC.
A identificação precoce surge como a principal arma. De acordo com as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial atualizadas em 2025, níveis acima de 120 por 80 mmHg já indicam um aumento no risco cardiovascular. “A aferição da pressão é fundamental, mesmo sem sintomas. A prevenção começa com o controle dos fatores de risco”, explica o doutor.
Como identificar um AVC
Quando a prevenção falha, o tempo torna-se o recurso mais precioso. O SAMU utiliza a Escala de Cincinnati como uma ferramenta rápida de reconhecimento que qualquer cidadão pode aplicar para identificar um Acidente Vascular Cerebral:
Sorriso: Peça para a pessoa sorrir. Se um lado do rosto não subir (assimetria), é um alerta.
Abraço: Peça para levantar os braços. A perda de força em um dos membros indica perigo.
Fala: Peça para a pessoa falar uma frase curta. Se a voz estiver “enrolada” ou incompreensível, o socorro deve ser imediato.
Infarto e os sinais “disfarçados”
Além do AVC, o infarto é a outra face perigosa da hipertensão. Além da clássica dor no peito que irradia para o braço ou mandíbula, o Dr. Fábio Basílio faz um alerta sobre sintomas menos óbvios. “Muitas vezes, náuseas, tontura e desconfortos abdominais são confundidos com problemas digestivos, o que atrasa a busca pelo hospital e reduz drasticamente as chances de recuperação”.
Organização que salva vidas
O sistema de saúde ainda enfrenta desafios, como o atraso em exames de imagem e a perda da janela ideal para o uso de medicamentos que dissolvem coágulos. Para combater essas falhas, o modelo de acreditação hospitalar tem se mostrado eficaz. Instituições com protocolos rígidos conseguem agir com mais precisão e integração entre as equipes.
Em caso de suspeita de Infarto ou AVC, não espere os sintomas passarem. Ligue para o 192 (SAMU) ou dirija-se imediatamente à unidade de pronto atendimento mais próxima. No Acre, o diagnóstico e tratamento de alta complexidade são referenciados no Pronto-Socorro de Rio Branco.