O uso da inteligência artificial (IA) já faz parte da rotina de mais da metade dos profissionais brasileiros e tem impulsionado ganhos de produtividade. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a adoção sem critérios pode estimular a dependência e reduzir a capacidade analítica no trabalho.
Segundo a Pesquisa de Tendências da Catho, 58% dos profissionais afirmam utilizar ferramentas como o ChatGPT no dia a dia, seja com frequência ou de forma ocasional, principalmente como apoio na execução de tarefas. Os dados mostram que a tecnologia tem sido aplicada, sobretudo, em atividades operacionais. O esclarecimento de dúvidas é citado por 10,7% dos profissionais, e o ganho de produtividade, por 8,5%.
Para Eber Duarte, diretor de tecnologia da Redarbor Brasil, detentora da Catho, esse avanço está ligado à capacidade da tecnologia de acelerar etapas. Ele pondera, no entanto, que esse ganho é, inicialmente, mais quantitativo do que qualitativo, e depende do uso crítico para gerar impacto real nas entregas.
— Se o profissional apenas replica o que a IA produz, a entrega pode se tornar superficial ou genérica — diz Duarte.
O cenário é reforçado por dados da escola de negócios Conquer, que mostram que 56,6% dos profissionais se consideram usuários da tecnologia. Embora o uso já esteja consolidado — 41% afirmam utilizar ferramentas de IA há mais de um ano —, a maior parte ainda não explora o potencial estratégico das ferramentas. Para o orientador de carreira Edgar Pereira, o avanço da IA expõe um paradoxo no mercado de trabalho:
— Ao mesmo tempo em que o domínio da ferramenta se torna uma exigência básica, o uso indiscriminado pode adormecer competências importantes, como criatividade e pensamento crítico. Quem deixa de ser estratégico tende a ser substituído, inclusive pela própria IA.
A tendência, segundo especialistas, é que o uso da inteligência artificial se torne um requisito básico — semelhante ao domínio de ferramentas digitais já tradicionais. O diferencial competitivo, no entanto, continuará ligado a habilidades humanas, como pensamento crítico, criatividade, visão estratégica e competências socioemocionais.
Confira as dicas para usar a IA a seu favor
Quer uma opinião sobre um texto ou documento importante? Peça ao Copilot. Por exemplo: “Atue como um revisor executivo e aponte no meu documento ambiguidade, falta de evidência, pontos fracos e sugira uma versão melhor”.
Profissionais que precisam lidar com editais ou documentos muito extensos podem pedir ao Copilot que crie resumos ou planos práticos para agir. Por exemplo: “Quero inscrever minha empresa nesse concurso. Por favor, crie um plano para que eu possa atender o cronograma e explique as principais regras de forma clara, rápida e compreensível.”
Com o recurso “Think Deeper”, o Copilot pode prestar informações relevantes para projetos, indicando as suas fontes. Um prompt possível seria: “Estou trabalhando em um projeto de expansão da minha empresa de [setor] para o município de [Cidade]. Levante informações sobre o município como população, prós e contras, capacidade de atender municípios vizinhos e outros pontos que devo levar em consideração”.
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