Redes sociais ampliam ataques contra mulheres negras, revela pesquisa

Mulheres negras têm sido alvo recorrente de violência digital no Brasil, independentemente da idade ou posição social. É o que aponta uma pesquisa do Minas Programam, que analisou como o racismo, o machismo e a misoginia — especialmente a chamada “misogynoir”, voltada contra mulheres negras — estão presentes nas interações online.

O levantamento mostra que os ataques vão desde comentários ofensivos até campanhas coordenadas de ódio, afetando diretamente a saúde mental, a autoestima e a permanência dessas mulheres nos espaços digitais. Em muitos casos, a exposição contínua à violência leva ao afastamento das redes sociais.

Um dos exemplos citados é o de uma mulher de 27 anos que, após sofrer uma série de ataques com teor racista, misógino e gordofóbico, decidiu excluir suas redes sociais. O processo de recuperação, segundo o estudo, só foi possível com apoio coletivo e incentivo para retomar suas atividades.

A pesquisa também destaca que esse tipo de violência não ocorre de forma isolada, mas reflete estruturas sociais históricas que se reproduzem no ambiente digital. A facilidade de disseminação de conteúdos nas redes amplia o alcance desses ataques, tornando o problema ainda mais complexo.

Criado em 2015, o Minas Programam atua justamente no enfrentamento dessas desigualdades, promovendo inclusão de mulheres, especialmente negras, nas áreas de tecnologia. A iniciativa oferece cursos gratuitos, oficinas e debates, buscando ampliar o acesso e fortalecer a presença feminina no setor.

O estudo reforça a necessidade de políticas públicas, responsabilização nas plataformas digitais e ações educativas para combater a violência online e garantir um ambiente mais seguro e igualitário para todas.

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