São Paulo – A empresária Mônica Sousa, filha do quadrinista Mauricio de Sousa, usou as redes sociais para esclarecer uma dúvida antiga entre fãs da Turma da Mônica que queriam saber a origem e as características do personagem Cascão. Segundo Mônica, o criador nunca pensou o personagem como negro.

(Foto: Reprodução)
Ela explicou que a aparência marcante do cabelo de Cascão não tem relação com textura crespa, mas sim com a ideia de sujeira, traço ligado à personalidade do menino que evita tomar banho.
“Segundo meu pai, Mauricio de Sousa, a criança que inspirou o Cascão era um menino mais humilde e não tinha água encanada em sua casa”, afirmou.
De acordo com o relato, o garoto que serviu de inspiração vivia em uma realidade com acesso limitado à água, que precisava ser retirada de poço com ajuda de um adulto.
Além disso, passava por uma fase comum da infância de rejeição ao banho, o que acabava deixando o cabelo endurecido pelo acúmulo de sujeira.
O tema voltou a repercutir nas redes após a viralização de um trecho do podcast Central Cast, no qual a historiadora e artista plástica Cris Soares comenta sua pesquisa acadêmica sobre identidade racial a partir do personagem.
No vídeo, ela relembra que, inicialmente, discordou da explicação de Mauricio. “Eu peguei ódio mortal do Mauricio. Eu falei: ‘Caramba, ele está chamando nosso cabelo crespo de sujo… tá bom, agora eu vou te destruir na pesquisa’”, disse.
No entanto, ao aprofundar os estudos, a pesquisadora concluiu que a versão apresentada pelo quadrinista era compatível com as primeiras representações do personagem.
Segundo ela, nas edições iniciais, o cabelo de Cascão era desenhado de forma diferente, mais próximo de fios lisos e espetados.
A mudança visual ocorreu posteriormente, quando o arte-finalista Sérgio Tibúrcio Graciano passou a utilizar uma técnica de “borrão de tinta” para criar o aspecto endurecido do cabelo, característica que se consolidou como marca do personagem ao longo dos anos.