Rio Branco registra abril atípico com chuvas 20% acima da média esperada para o mês


O mês de abril de 2026 tem desafiado as estatísticas meteorológicas e a infraestrutura de Rio Branco. Em um cenário considerado “atípico” pelas autoridades, a capital acreana registrou, entre os dias 1º e 24 de abril, um acumulado de 234,6 mm de chuva. Os dados são da Defesa Civil do Município.

O volume já supera significativamente a média histórica prevista para todo o mês, que era de 196,8 mm, representando uma marca 20% acima do esperado antes mesmo do fechamento do período.

Em entrevista ao portal A GAZETA, o coordenador municipal da Defesa Civil, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou que a situação é complexa e envolve uma combinação de fatores ambientais e humanos. Segundo o gestor, o que a capital vive hoje é o reflexo de fenômenos que extrapolam o comportamento usual da natureza para esta época do ano.

Mudanças climáticas e ciclos de 50 anos

De acordo com o tenente-coronel Falcão, a explicação para tamanha instabilidade reside em um conjunto de variáveis que inclui desde o aquecimento global até ciclos naturais de longa duração. “As mudanças climáticas, os ciclos, é o que mais explica para que a gente esteja passando por uma situação como essa”, afirmou o coordenador.

Falcão revelou uma coincidência histórica alarmante: o retorno de padrões observados há meio século. “Nós tivemos uma inundação em dezembro de 1975, uma única desde o nosso monitoramento todo. E agora aconteceu de novo, 50 anos depois. Então, isso é um ciclo que essas situações podem se repetir fora do que é o usual”, destacou.

O fator humano

Além das questões naturais e climáticas, o coordenador da Defesa Civil ressaltou que a pressão exercida pelo homem sobre o meio ambiente acelera e agrava esses episódios de chuvas intensas e enchentes. “Claro que nós temos também a influência direta das ações humanas”, pontuou Falcão, sugerindo que o planejamento urbano e o cuidado ambiental são decisivos para amenizar os impactos desses eventos extremos.

Com o solo saturado e o Rio Acre operando em níveis elevados, a Defesa Civil mantém o alerta para os últimos dias de abril. A expectativa é que o monitoramento continue rigoroso, uma vez que o volume excedente de água mantém áreas de risco sob vigilância constante, aguardando a transição para o período de estiagem previsto para o início de maio.



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