Internações por síndrome respiratória sobem 43% no Acre; bebês lideram mortes

O Acre entrou em estado de alerta para doenças respiratórias após registrar aumento expressivo nas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026. Dados divulgados nesta semana pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) mostram que, entre as semanas epidemiológicas 1 e 15 deste ano, o número de hospitalizações subiu 43% em relação ao mesmo período de 2025.

Foram 965 internações neste ano, contra 676 no ano passado e 640 em 2024. O avanço preocupa autoridades sanitárias porque ocorre antes do período historicamente mais crítico de circulação viral na região amazônica.

Além da alta nas hospitalizações, o boletim aponta uma mudança no perfil das mortes: bebês com menos de 2 anos passaram a ser o grupo com maior número de óbitos, superando os idosos, que lideravam as estatísticas nos anos anteriores.

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Até a 15ª semana epidemiológica, o estado contabilizou 20 mortes por SRAG. Dessas, 9 ocorreram entre crianças menores de 2 anos. Entre idosos acima de 60 anos, foram cinco registros.

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Vírus sincicial respiratório lidera casos graves

Segundo a Sesacre, o principal agente associado às internações neste ano é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), conhecido por causar bronquiolite e pneumonia em crianças pequenas. O boletim também cita circulação relevante de rinovírus e influenza A.

A predominância do VSR ajuda a explicar o aumento de casos graves entre bebês e a maior procura por atendimento pediátrico nas unidades públicas de saúde.

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Rio Branco e Cruzeiro do Sul concentram parte importante das notificações e já aparecem em nível de alerta, segundo o documento. Mas municípios do interior também chamaram atenção, especialmente Feijó, que registrou 9 mortes até a semana 9 — quase metade do total estadual no período analisado.

Ainda de acordo com a Sesacre, seis dessas vítimas eram indígenas. O boletim cita possíveis fatores como dificuldade de acesso aos serviços de saúde e atendimento fora do tempo ideal.

Baixa vacinação agrava cenário

Em meio ao avanço das internações, a cobertura vacinal segue abaixo do recomendado. Entre os grupos prioritários no Acre, a imunização contra influenza alcançou:

  • 35,5% das crianças
  • 54,6% das gestantes
  • 22,9% dos idosos

A meta do Ministério da Saúde varia entre 90% e 95%.

Na capital Rio Branco, a situação entre idosos é ainda mais crítica: apenas 8,25% do público-alvo havia sido vacinado no período analisado.

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Dados de vacinação divulgados pela Sesacre/Foto: Reprodução

Hospitais mais pressionados

As unidades com maior número de internações por SRAG em 2026 foram:

  • Hospital Regional do Juruá
  • Hospital Infantil Iolanda Costa e Silva
  • Unidade Mista de Marechal Thaumaturgo
  • Hospital Geral de Feijó

O cenário levou a secretaria a recomendar reforço nas medidas preventivas, como vacinação, higiene das mãos e uso de máscaras por profissionais de saúde e pessoas sintomáticas.

Embora o boletim aponte leve desaceleração entre as semanas 10 e 13, a semana 14 voltou a apresentar crescimento discreto nas notificações. Para técnicos da vigilância epidemiológica, isso indica que o Acre ainda enfrenta um quadro instável e com possibilidade de novas altas nas próximas semanas.

Com a aproximação do período de maior circulação viral, o avanço de internações e o aumento de mortes entre bebês acendem um alerta adicional para a rede pública de saúde no estado.

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