Este é um fenômeno extremamente incomum, conhecido como superfecundação heteropaternal. Foram relatados cerca de vinte casos como este em artigos científicos, a nível mundial.
Os especialistas da universidade sabiam que era possível, mas nunca haviam presenciado um caso destes — o que, naturalmente, despertou seu interesse científico.
Como foi a análise
Para determinar a paternidade de qualquer pessoa, os cientistas do Laboratório de Genética de Populações e Identificação da Universidade Nacional da Colômbia utilizam uma tecnologia conhecida como “marcadores microssatélites”.
A técnica consiste, resumidamente, na análise e comparação de minúsculos fragmentos de DNA da criança, da mãe e do suposto pai.
“Nós pegamos o DNA de cada um deles, observamos de 15 a 22 pontos, conhecidos como microssatélites, e os comparamos um a um”, explica à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) o professor William Usaquén, diretor do laboratório.
Mas este não é um processo simples, como colocar o DNA sob um potente microscópio e observá-lo.
Depois de retirar as amostras de sangue com uma picada no dedo, os cientistas realizam um procedimento químico para isolar o DNA, que é extremamente pequeno, e colocá-lo em um equipamento especializado para amplificá-lo.
O líquido resultante é misturado com elementos fluorescentes, para marcar os 15 a 22 microssatélites que se deseja observar.
Ele é, então, passado por outra máquina, capaz de ler os microssatélites em cada uma das amostras e convertê-los em uma sequência numérica. Este processo é conhecido como eletroforese.
Por fim, com as sequências numéricas em mãos, os pesquisadores realizam a análise probabilística para descartar ou não que o homem seja o pai do bebê.
Quando a metade do perfil genético da criança coincide com o da mãe e a outra, com o do suposto pai, a paternidade é confirmada.
No caso dos gêmeos de pais diferentes descobertos em 2018, os cientistas do Instituto de Genética da Universidade Nacional da Colômbia analisaram 17 microssatélites do DNA da mãe, dos dois bebês e do suposto pai que se apresentou para o teste.
Eles concluíram que o DNA do suposto pai coincidia com um dos meninos, mas não com o outro. Era um resultado extraordinário sob todos os aspectos.
“Sou diretor do laboratório há 26 anos e este é o primeiro caso que presenciamos”, destaca Usaquén. “E, até agora, o único.”
“Havíamos lido em outros relatos que estes casos são observados com muito pouca frequência pelo mundo”, afirma a especialista em genética Andrea Casas, pesquisadora do instituto.
Seguindo o protocolo, eles repetiram o teste desde o princípio para descartar que fosse um erro de processo ou uma confusão nas amostras. E chegaram ao mesmo resultado da primeira vez.
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