Alunos do Parlamento BV Mirim vivenciam cultura indígena em escola na Serra da Moça



Alunos do Parlamento BV Mirim vivenciam cultura indígena em escola na Serra da Moça

Uma tarde de aprendizado, troca de experiências e conexão com as raízes culturais. Assim foi a visita dos alunos que integram o Parlamento BV Mirim à Escola Municipal Indígena Vovô Jandico da Silva, localizada na Serra da Moça, na última quinta-feira, 23.

A atividade integra o projeto “Parlamento em Campo: Vivência com Povos Originários”, que promove uma imersão educativa voltada à valorização da diversidade cultural e à formação cidadã dos estudantes, iniciativa que nasceu na Escola Municipal Raimundo Eloy Gomes.

Vivência além da sala de aula

Durante a programação, os 15 integrantes do parlamento tiveram contato direto com a rotina da escola indígena. A experiência incluiu rodas de conversa, momentos de escuta ativa e troca de conhecimentos com os alunos da comunidade.

Além disso, os estudantes visitaram espaços importantes da unidade, como salas de aula, refeitório, a rocinha — onde são cultivados alimentos como macaxeira, batata-doce, pimenta, abóbora e feijão — e a horta escolar, com produção de cebolinha, couve e coentro.

A programação também contou com degustação de comidas típicas, como damurida, beiju e bolo de macaxeira, além de um momento especial de pintura corporal com grafismos indígenas, que carregam significados culturais importantes. O encerramento foi marcado pela tradicional dança do Parixara, proporcionando uma experiência ainda mais imersiva.

Formação cidadã e valorização cultural

Para a gestora da Escola Municipal Raimundo Eloy Gomes, Edinar Sousa, a iniciativa amplia o aprendizado e fortalece a formação dos alunos. “Essa vivência vem para consolidar tudo o que eles aprendem em sala de aula. É uma oportunidade de conhecer, na prática, a realidade de uma comunidade indígena e refletir sobre a educação ofertada tanto na zona urbana quanto nas escolas indígenas, que também têm um padrão de excelência”, destacou.

Ela reforçou ainda a importância de aproximar os alunos dessa realidade. “Nosso estado é culturalmente muito rico, mas, com o tempo, algumas referências podem se perder. A escola tem o papel de resgatar essa valorização, mostrando a importância dos costumes indígenas na formação de cidadãos conscientes e respeitosos com a diversidade”, completou.

Troca de saberes e conexão com as raízes

A coordenadora pedagógica da Escola Municipal Indígena Vovô Jandico da Silva, Áurea Peixoto, destacou o impacto da atividade para ambos os lados. “Essa troca é muito importante, tanto para os alunos daqui quanto para os da capital. Aqui, eles têm contato com a natureza e conseguem se conectar com suas raízes, ao mesmo tempo em que compartilham experiências”, afirmou.

Experiência que marca

Para os alunos, a visita foi marcante. A presidente do Parlamento BV Mirim, Bruna Rafaele, ressaltou o quanto a experiência contribuiu para ampliar o olhar sobre a cultura indígena.

“Eu achei muito importante essa vivência, principalmente para quem não é indígena. A gente aprende sobre a cultura, a língua materna e como funciona a escola. Tudo isso faz com que a gente entenda melhor essa realidade”, contou.

Já a aluna Eduarda Manoel Carlos destacou a troca entre os estudantes. “Foi muito legal receber os visitantes aqui. É uma forma de aprenderem sobre a nossa cultura e de a gente aprender com eles também. A gente se divertiu muito”, disse.

Conhecimento que se multiplica

Como desdobramento da atividade, os estudantes irão produzir relatórios, cartazes e apresentações para compartilhar a experiência com a comunidade escolar. A proposta é que atuem como multiplicadores desse conhecimento, ampliando o alcance da iniciativa.

O Parlamento BV Mirim segue com uma programação pedagógica ao longo do mandato, com duração de dois anos. A iniciativa busca estimular o protagonismo estudantil, o respeito à diversidade e a construção de uma sociedade mais consciente e inclusiva.

Respeito às tradições indígenas

Atualmente, a Rede Municipal de Ensino de Boa Vista conta com 12 escolas indígenas, que, juntas, atendem 1.015 alunos em diferentes comunidades. Essas unidades seguem o mesmo padrão de qualidade das escolas urbanas, com infraestrutura adequada, profissionais qualificados e acesso a recursos pedagógicos.

Ao mesmo tempo, as escolas respeitam e valorizam as especificidades culturais de cada povo, garantindo o ensino da língua materna, práticas tradicionais e conteúdos que dialogam com a realidade local.

Os estudantes contam com benefícios como transporte escolar, alimentação adequada à cultura das comunidades e projetos pedagógicos que fortalecem a identidade indígena. Desse modo, o objetivo é assegurar uma educação de qualidade, inclusiva e conectada às raízes culturais dos povos originários, contribuindo para a formação de cidadãos conscientes e orgulhosos de sua história.

Fonte: Da Redação



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