OS entra na mira da PF por suposto desvio de recursos da Covid em Aparecida


ESQUEMA MILIONÁRIO

OS atuou na gestão do Hospital Municipal de Aparecida (HMAP) entre dezembro de 2018 e maio de 2022

Hospital Municipal de Aparecida (HMAP) - (Foto: reprodução/Prefeitura de Aparecida de Goiânia)

Hospital Municipal de Aparecida (HMAP) – (Foto: reprodução/Prefeitura de Aparecida de Goiânia)

Uma nova Organização Social (OS) é investigada pela Polícia Federal por suposto desvio de recuros voltados ao combate à Covid-19 em Aparecida de Goiânia. O Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar (IBGH), que atuou na administração do Hospital Municipal de Aparecida (HMAP) entre dezembro de 2018 e maio de 2022, teria usado a quarteirização de contratos para realizar as referidas movimentações financeiras.

Ao todo, 13 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Goiânia e um em Anápolis contra alvos ligados à OS. Dois dos investigados, vinculados a outra instituição, IMED, já haviam sido surpreendidos pela PF em operação realizada na semana passada.

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Desvio de recursos da Covid

Segundo a PF, os desvios supostamente ocorridos no âmbito da IBGH teriam ocorrido em 2020, durante a pandemia de Covid. A investigação mostrou que os sócios de empresas privadas contratadas para prestarem serviços à organização social repassavam parte dos valores recebidos de volta para outras empresas de fachada, comandadas pelos gestores da organização social.

Os valores eram referentes a contratos superfaturados e fraudulentos de gestão de leitos de UTI para as empresas investigadas. Para ocultar a origem ilícita dos recursos, os investigados teriam montado um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. O esquema incluía técnicas de layering (camadas de transferências sucessivas) e smurfing (saques fracionados em espécie, que chegaram a superar R$ 1,5 milhão por apenas um dos suspeitos).

‘Movimento circular de capital’

O dinheiro circulava por meio de contratos fictícios, empréstimos simulados e era pulverizado em contas de laranjas, que incluíam familiares dos investigados, advogados, funcionários administrativos e empresas de fachada, como escritórios de contabilidade e lavanderias fantasmas.

A análise financeira revelou ainda o ‘movimento circular de capital’, ou seja, os valores eram enviados a terceiros e estornados quase que integralmente, apenas para criar barreiras no rastreamento contábil.

Alvo pela 2ª vez

A empresa IMED e os donos também foram alvos da nova ação. Conforme a PF, que contou com o apoio do Ministério Público Federal (MPF), as investigações apontaram que os gestores da organização social desviaram dinheiro público com o aval das empresas contratadas. 

São apurados crimes de corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro. A primeira fase da Operação Sepse foi realizada em 2 de março de 2023. 



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