Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
O plenário da Câmara Municipal de Macapá (CMM) decidiu, nesta quinta-feira (23), por 12 votos a 7, rejeitar o relatório da comissão processante que havia arquivado o processo contra o vice-prefeito Mário Neto (Podemos), afastado a pedido da Polícia Federal desde 4 de março. Com a decisão, foi invalidado o parecer do vereador Alexandre Azevedo (REP), aliado do prefeito Antônio Furlan (PSD), também afastado na Operação Paroxismo, e a comissão deverá dar continuidade às investigações. Na semana passada, Azevedo sustentou falta de provas e a impossibilidade de responsabilizar o vice-prefeito, que acumulava a função de secretário de Finanças — cargo a partir do qual teria autorizado pagamentos à empresa Santa Rita Engenharia, responsável pelo contrato do Hospital Municipal.
Há suspeitas de fraude em licitação e desvio de pelo menos R$ 3 milhões para contas ligadas ao ex-prefeito e à esposa dele, a pré-candidata ao Senado Rayssa Furlan. O ex-gestor, por sua vez, cumpre agenda política no interior do estado com vistas a uma possível disputa pelo Palácio do Setentrião.

Relatório foi rejeitado por 12 votos a 7
Com a rejeição do relatório, a comissão terá prazo adicional de 45 dias para instruir o processo, incluindo o recebimento de defesa prévia, a oitiva de testemunhas e o depoimento do próprio vice-prefeito afastado.
Por decisão do ministro Flávio Dino, o afastamento de Mário Neto está mantido até 4 de maio, quando se completam 60 dias. O magistrado, no entanto, solicitou manifestações do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e da Prefeitura de Macapá, que se posicionaram pela prorrogação da medida.