Alerta climático para forte inverno e chegada do super El Niño requer planos emergenciais


Pontes de madeira precisam de manutenção no Município de Amajari, onde inverno chegou mais cedo

Enquanto todas as atenções estão voltadas para as eleições e uma pré-campanha que vem se arrastando desde o ano passado, especialistas em fenômenos climáticos no mundo vêm alertando sobre a chegada de um super El Niño, com possíveis efeitos para o Norte, com Roraima já enfrentando reflexos com fortes chuvas antecipadas antes do início oficial do período de inverno.

Significa que as autoridades que lidam com as consequências dos reflexos climáticos precisam estar atentas para montar planos emergenciais. Já é possível prever um inverno rigoroso, com chuvas acima da média, as quais vêm atingindo algumas regiões do Estado, onde estradas com pontes de madeiras sem manutenção foram destruídas e com sérios riscos de acidentes, a exemplo dos municípios do Amajari, na região Norte, e Rorainópolis, no Sul.

Serviços meteorológicos internacionais indicaram, desde o início do ano, o fim do La Niña e um possível retorno do super El Niño, que deve influenciar o comportamento do clima nos próximos meses. Em Roraima, no principal ponto turístico, a Serra do Tepequém, os eventos climáticos ocorrem desde 25 de março, quando as chuvas chegaram, antecipando o inverno na região, embora muitos negassem isso.

Mas o fato é que desde lá as chuvas prosseguiram até aqui, com a confirmação do inverno roraimense, enquanto outras regiões experimentavam chuvas esporádicas. A madrugada de terça-feira para quarta-feira foi marcada por chuvas intensas especialmente em Boa Vista e Amajari, mostrando os efeitos das bruscas alterações climáticas que muitos querem negar.

O boletim da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos apontou que há 61% de indicação de que o fenômeno climático El Niño possa se estabelecer nos próximos meses, entre maio e julho, inclusive com especialistas esperando um fenômeno de forte intensidade que irá atingir todo o país, com chuvas e seca mais rigorosas dependendo da região.

Estima-se que o El Niño deve ganhar força apenas no segundo semestre, provocando uma redistribuição das chuvas: no Sul do país, volumes acima da média, com riscos de excesso hídrico e dificuldades no campo; no Centro-Oeste e no Norte, a previsão é de períodos de estiagem que podem não apenas comprometer o desenvolvimento das lavouras, mas grandes incêndios devido à seca, a exemplo do que ocorre em Roraima.

Não precisa ser especialista para entender que a antecipação das chuvas no principal ponto turístico de Roraima pode indicar a chegada mais cedo do período de seca, coincidindo com a previsão de chegada do El Niño, o que pode afetar os atrativos turísticos hídricos de Tepequém e queimadas severas, a exemplo que ocorreu em outros tempos, com a destruição do meio ambiente, morte de animais, qualidade do ar com riscos para a saúde humana devido à fumaça, além da destruição de plantios e afetação dos mananciais hídricos.

O alerta vem sendo emitido desde o ano passado. As autoridades precisam se antecipar a fim de evitar a tragédia. No Amajari e Rorainópolis, foi preciso as enxurradas destruírem as pontes de madeira para que o poder público pudesse agir. Com a previsão de uma seca severa, em breve, novas tragédias ambientais e humanas podem ocorrer se nada for feito, enquanto os políticos estão mais preocupados com a campanha eleitoral.

*Colunista

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