Clientes tinham acesso a ‘catálogo de novinhas’ em rede de exploração sexual – SelesNafes.com


Por SELES NAFES, de Macapá (AP)

A Polícia Civil do Amapá deflagrou na manhã desta quinta-feira (23) a segunda fase da Operação Iuvenes, que investiga o funcionamento de uma rede de exploração sexual que incluia empresários e servidores públicos. Dois mandados de prisão e sete de busca e apreensão foram cumpridos em Macapá e Santana. O caso começou a ser investigado após denúncias anônimas feitas em 2023, que indicavam a exploração de adolescentes entre 13 e 16 anos em situação de vulnerabilidade. Com o avanço das diligências, a Polícia Civil identificou um esquema estruturado, com divisão clara de funções entre os envolvidos.

Segundo os autos, a que o Portal SelesNafes.Com teve acesso, havia agenciadores responsáveis por oferecer as vítimas, intermediários que faziam a ponte entre clientes e adolescentes, e “consumidores” que pagavam pelos encontros. Dois investigados, um homem e uma mulher, são apontados como os agenciadores. Eles teriam “cardápios de novinhas” com fotos das meninas que eram oferecidas aos “clientes”. 

“Estamos tentando ter acesso aos autos porque se trata de uma apuração em segredo de justiça. Ele nega veementemente as acusações. Estamos aguardando para tomar conhecimento de todo o procedimento”, comentou o advogado Pablo Nery, que representa um dos investigados alvo de busca e apreensão. Durante o cumprimento dos mandados foram apreendidas duas armas de fogo, drogas e dinheiro.

Foram nove mandados de busca e de prisão preventiva

…em Macapá e Santana

A rede foi desvendada principalmente a partir da análise de celulares apreendidos durante a primeira fase da operação, em dezembro de 2024. Nos aparelhos, peritos encontraram conversas, áudios e imagens que indicam a participação direta dos investigados nas práticas criminosas.

As mensagens analisadas também revelam o uso frequente do termo “novinhas”, o que, segundo o Ministério Público, evidencia a naturalização da exploração sexual de adolescentes dentro do grupo.

As investigações apontam que os encontros eram organizados por diferentes meios, incluindo contatos diretos, aplicativos de mensagens e até perfis em sites de prostituição. Os pagamentos, por sua vez, eram realizados em dinheiro, via PIX ou por meio de presentes de pequeno valor.

Arma e dinheiro apreendidos durante as buscas

Delegada Clívia Valente, titular a Dercca. Imagens: Lucas/PC

Fundamentação para as prisões

Em um dos pedidos de prisão, os investigadores citam o caso um homem que recebeu fotos de uma adolescente de 15 anos e, mesmo demonstrando consciência da ilegalidade ao questionar se a situação “daria problema”, confirmou o encontro com a vítima.

Nos pedidos de prisão, o Ministério Público sustentou que há provas e risco “concreto na manutenção da liberdade dos investigados”. A necessidade da prisão foi justificada em três pontos principais. O primeiro é a garantia da ordem pública, diante da gravidade dos fatos, do risco de repetição das condutas e da existência de uma rede organizada.

O segundo é a conveniência da instrução criminal. Segundo o MP, em liberdade, os investigados poderiam apagar mensagens, destruir provas digitais ou até influenciar vítimas e testemunhas. O terceiro ponto é a necessidade de assegurar a aplicação da lei penal, considerando o risco de fuga em razão das penas previstas para os crimes investigados. Além das prisões e buscas, a justiça autorizou acessos aos celulares apreendidos hoje para aprofundar as investigações.





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