Sem vestígios, força-tarefa encerra buscas por extrativista em floresta entre o Amapá e Pará – SelesNafes.com


Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)

Após quase três semanas de mobilização intensiva na densa vegetação do Vale do Jari, o Corpo de Bombeiros Militar do Pará confirmou o encerramento das buscas por Jhemenson Rodrigues Gonçalves, de 32 anos. O castanheiro desapareceu no dia 4 de abril enquanto trabalhava na região do Rio Paru, em Almeirim, no oeste paraense.

A decisão pela suspensão das atividades de campo ocorre após o esgotamento dos protocolos de varredura sem que nenhum vestígio do trabalhador fosse localizado.

A operação consolidou uma cooperação estratégica entre os governos do Pará e do Amapá. Sob o comando regional do Coronel Celso Piquet, a força-tarefa empenhou militares de Belém, Santarém, Altamira e Almeirim, incluindo especialistas em busca e resgate em selva, além de binômios (cães farejadores e condutores) do canil especializado.

Do lado amapaense, o Governo do Estado garantiu o suporte logístico essencial, enviando 4 mil litros de combustível de aviação para viabilizar a continuidade dos voos sobre a área de floresta fechada.

Operação mobilizou equipes, drones e sobrevoos

O esforço aéreo foi um dos pilares da missão, unindo o Grupamento Tático Aéreo do Amapá (GTA-AP) e o Grupamento Aéreo de Segurança Pública do Pará (GRAESP). As equipes utilizaram drones de alta tecnologia equipados com câmeras térmicas, na tentativa de identificar assinaturas de calor sob o dossel da floresta, marcada por áreas alagadas e clima adverso que dificultaram a progressão terrestre.

Durante as diligências, que cobriram dezenas de quilômetros quadrados, militares e voluntários relataram ter ouvido disparos de arma de fogo na mata. A hipótese principal era de que Jhemenson, que portava uma arma para proteção e subsistência, estivesse tentando sinalizar sua localização.

Diante desse indício, promotores do Ministério Público do Amapá acompanharam sobrevoos para monitorar o terreno e prestar suporte institucional à família, que acompanhou cada etapa da operação com expectativa.

Apesar da experiência local de voluntários e do apoio do Exército Brasileiro, a inexperiência de Jhemenson com aquela geografia específica pode ter sido o fator determinante para o desorientamento. O castanheiro reside em Laranjal do Jari (AP) e não conhecia profundamente a área de coleta onde se perdeu.

Com a desmobilização das equipes de resgate, o caso deixa a esfera de salvamento e passa à jurisdição da Polícia Civil do Pará. Um inquérito policial será instaurado para apurar as circunstâncias do desaparecimento e investigar eventuais novas evidências.

Embora as buscas de campo tenham cessado, as autoridades permanecem em alerta para qualquer nova informação que possa levar ao paradeiro do extrativista, enquanto a rede de assistência social mantém o apoio humanitário aos familiares de Jhemenson.





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