Pacientes com sequelas da hanseníase começaram a receber próteses ortopédicas após anos de espera na Casa de Acolhida Souza Araújo, no Acre. A entrega foi realizada em ação coordenada pela Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), com articulação do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) e participação de outros órgãos e entidades ligadas à saúde.
A iniciativa atende moradores que enfrentavam dificuldades de locomoção há anos, em razão das limitações causadas pela doença. As próteses, consideradas de alto custo, não eram acessíveis para aquisição individual, o que prolongava a situação de dependência de muitos pacientes.
Segundo a presidente da Fundhacre, Soron Angélica Steiner, a medida busca corrigir uma lacuna no atendimento. “Essas próteses representam, de fato, o retorno da liberdade de ir e vir. São dispositivos de alto custo, inacessíveis para aquisição individual, mas que constituem um dever do Sistema Único de Saúde”, afirmou.

A entrega ocorre após uma série de reuniões e articulações conduzidas pelo TCE-AC, que vem acompanhando as condições da unidade e promovendo encontros com diferentes instituições para encaminhar soluções. Participaram das discussões representantes do Governo do Estado, Ministério Público, Conselho Estadual de Saúde e do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan).
Além da entrega das próteses, outras medidas foram definidas ao longo de encontros realizados entre 2025 e 2026. Entre elas estão a realização de mutirões de avaliação funcional, ampliação do diagnóstico da hanseníase, descentralização do atendimento para municípios e regularização de documentos dos moradores.
Também estão previstas melhorias na estrutura da Casa de Acolhida, incluindo projetos voltados à infraestrutura do local.
Para os moradores, a entrega dos equipamentos representa mudança direta na rotina. O paciente Sidomar Alves de Brito, que estava há mais de um ano sem prótese, relatou a dificuldade enfrentada no dia a dia. “Para mim, isso significa voltar a andar, voltar a fazer minhas coisas, ir à igreja. Eu moro em um lugar onde é difícil se locomover sem a prótese”, disse.
Representantes do Morhan também destacaram que a entrega é resultado de uma reivindicação antiga de pessoas atingidas pela hanseníase, especialmente no que diz respeito à reabilitação e ao autocuidado.
Histórico da unidade
A Casa de Acolhida Souza Araújo foi criada a partir do antigo Hospital Souza Araújo, fundado em 1928 como espaço de isolamento compulsório de pessoas com hanseníase. Durante décadas, pacientes viveram afastados do convívio social, em um modelo de atendimento que refletia o contexto da época.
Atualmente, a unidade abriga cerca de 30 moradores e funciona com apoio de instituições públicas e da sociedade civil, oferecendo acompanhamento em saúde e suporte diário.