Por que a minha cidade? O Poder das Pequenas Cidades no Turismo Brasileiro


A pergunta é sempre a mesma: por que a minha cidade? O que tem de interessante nela? O cenário do turismo nacional pós-pandemia atravessa uma transformação profunda, buscando não apenas grandes infraestruturas, mas experiências com identidade. Pequenas cidades e vilas deixaram de ser meros pontos de apoio para se tornarem protagonistas de roteiros memoráveis, como vemos nos clusters de sucesso em vários territórios do Maranhão, Bahia, Pernambuco, Mato Grosso do Sul. Para Rondônia, o caminho para elevar a autoestima de seus municípios e consolidar-se como um polo receptivo na Amazônia reside em apropriar-se dessas mesmas estratégias de valorização territorial e experiências peculiares.

Em Rondônia, existem vários locais originais na nossa Amazônia real, como a paleotoca de preguiças gigantes, em Vista Alegre do Abunã, o parreiral em plena Floresta Amazônica, localizado na Casa da Uva, em Pimenta Bueno, e a propriedade cafeeira Dom Bento, em Cacoal, onde é possível acompanhar a produção de perto e ainda beber sua matéria-prima direto da fonte. Além de cachoeiras, lagoas azuis ou aldeias indígenas. Há locais mais estruturados, outros mais genuínos. Alguns perrengues para acessar, mas sem arrependimentos nas descobertas. Porém, como convencer turistas a viajar quilômetros de distância para chegar em Porto Velho e ainda assim pegar estrada para visitar “pequenas atrações”? O fortalecimento dos pequenos negócios e a valorização da identidade única, moldada por fatores geográficos, culturais e históricos, são o que geram elementos de interesse. O diferente, o que ainda não foi descoberto, o engajamento de estar onde poucos acessaram. Segundo o modelo de Stanley Plog, um turista alocêntrico é um viajante aventureiro, curioso e autoconfiante que busca destinos inexplorados, culturas autênticas e experiências de baixo impacto turístico.

Clusterização e governança

Um aglomerado de ofertas turísticas em prateleira comercial, com uma rede de governança fortalecida, seria um sonho? Muito do sucesso de territórios consolidados no cenário nacional veio da constância de direcionamentos em comum para associações, conselhos deliberativos, sindicatos e fóruns de interesses, determinando rumos consistentes na transformação positiva dos destinos. Planos táticos associados aos planos estratégicos de turismo, por meio de dados de inteligência do Ministério do Turismo, Embratur e Sebrae, trazem segurança de investimento e mensuração da maturidade das ações para obtenção de resultados. A competitividade de um destino está diretamente ligada à sua capacidade de governança compartilhada, integrando setor público, privado e comunidade. Rondônia já possui ativos valiosos para criar seus próprios clusters, como turismo de natureza e ecoturismo. Trago à luz o exemplo da Estância Turística em Ouro Preto do Oeste, que assume bem esse papel, unindo ofertas em três municípios turísticos, como União, Teixeirópolis e Ouro Preto d’Oeste. Suas ofertas unem experiências como banho de cachoeira, alvorecer no lago do Hotel Graúna, caminhada, corrida ou piquenique no Morro Chico Mendes. E ainda há espaço para os mais aventureiros, com voos livres de parapente. No âmbito histórico-cultural, Rondônia tem um forte apelo com dois museus a céu aberto, sendo a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e o Forte Príncipe da Beira. São produtos turísticos de alto valor para atração de fluxo de interesse.

Para Rondônia ser um grande polo receptivo da Amazônia, é necessário entender que o território é o seu maior ativo. Ao associar-se conceitualmente aos cases de sucesso do Brasil, o estado deve focar na hospitalidade genuína e na gestão profissional, tornando-se o combustível para um desenvolvimento socioeconômico sem precedentes e um diferencial econômico nas prateleiras de negócios.

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