Ricco abre “caixa-preta” do transporte coletivo e acusa prefeitura de calote e omissão


A empresa Ricco Transportes divulgou, na tarde desta terça-feira (21), uma série de imagens nas redes sociais com um detalhado “raio-x financeiro” da operação do transporte coletivo na capital acreana. O material, publicado em formato de apresentação, é assinado por Bruna Fernandes Dias, que afirma que a iniciativa tem como objetivo expor “a fotografia real da nossa empresa. Nada escondido”.

A publicação ocorre em meio ao agravamento da crise no sistema e às vésperas da paralisação total dos ônibus. Logo na abertura, a empresa afirma que decidiu tornar públicos os números porque “o mínimo que vocês merecem é ver a exata movimentação financeira da empresa. Quanto entrou, quanto saiu, e o abismo que se formou”.

Segundo os dados apresentados, referentes aos primeiros 20 dias de abril, a empresa afirma ter arrecadado R$ 2,84 milhões e registrado despesas de R$ 2,91 milhões, fechando o período no vermelho. Ainda assim, a Ricco sustenta que o cenário é ainda mais grave ao considerar as contas em aberto. “Fechamos no vermelho mesmo pagando apenas o básico para a frota rodar”, diz um dos trechos.

A empresa afirma que o déficit acumulado já chega a R$ 1,59 milhão no período, incluindo salários, vale alimentação, cestas básicas e outros encargos. Ao justificar os atrasos, a publicação é direta: “O dinheiro acabou antes de pagar o essencial”.

Outro ponto central do material é a explicação sobre a composição dos passageiros. Segundo a empresa, apenas 53,5% pagam tarifa integral, enquanto o restante é composto por estudantes e gratuidades. “48% dos passageiros não paga a tarifa cheia”, afirma a apresentação, acrescentando que a legislação prevê a recomposição desses valores pelo poder público.

É nesse ponto que a Ricco faz as críticas mais duras à Prefeitura de Rio Branco, acusando a gestão de omissão e de não cumprir com os repasses necessários para manter o sistema em funcionamento. A empresa sustenta que existe um desequilíbrio entre o valor recebido e o custo real da operação. “Em apenas 17 dias, a Prefeitura deixou de recompor R$ 1,5 milhão. Este é exatamente o valor que falta para pagar nossos colaboradores e fornecedores”, diz o material.

Em outro trecho, a empresa reforça a acusação ao afirmar que a situação não decorre de falta de gestão interna, mas de ausência de receita adequada: “Não é falta de vontade da empresa. É falta de receita compatível com os custos”. A publicação também aponta que o município repassa cerca de R$ 3,63 por passageiro, enquanto a tarifa técnica estimada seria de R$ 7,79.

A Ricco classifica o cenário como resultado de um “calote institucional”, ao alegar que a prefeitura não estaria cobrindo despesas relacionadas às gratuidades e ao passe estudantil. “O não pagamento das gratuidades e da diferença do passe estudantil pela Prefeitura” é apontado como uma das principais causas do colapso financeiro.

Além disso, a empresa também acusa omissão por parte da gestão do sistema de transporte. “O superintendente da RBTrans segue inerte diante da crise”, afirma um dos slides, que também cita problemas estruturais, como condições precárias das vias e a suposta tolerância com irregularidades no sistema.

A publicação ainda destaca o impacto do aumento dos custos operacionais, especialmente do combustível, e a defasagem tarifária desde 2022. “O diesel sobe abruptamente, a receita não acompanha. Sangria de caixa”, descreve a empresa.

Ao final, a Ricco afirma que chegou ao limite financeiro após meses de tentativa de manter a operação. “Continuamos operando por respeito à cidade, mas o limite financeiro chegou”, diz o material. A empresa também afirma que comunicou previamente ao poder público a decisão de não renovar o contrato emergencial, mas que seguiu operando para não deixar a população desassistida.

Veja as imagens da publicação:

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