Promessas não cumpridas e a caixa-preta dos seguidos governos muito bem guardada  


Promessa de auditoria nas contas do Governo de Roraima, em 2019, nunca foi cumprida (Imagem: Reprodução)

A memória é curta, por isso é necessário relembrar. Recém-eleito governador sob a bandeira de “não-político”, Antonio Denarium foi nomeado interventor federal do Estado de Roraima, em dezembro de 2018, para estancar a sangria de um desgoverno que se tornou a administração da então governadora Suely Campos, afogada em corrupção sistêmica e sem recursos para pagar o salário dos servidores (inclusive o próprio filho foi preso em uma operação da Polícia Federal sob acusação de comandar um esquema que desviou R$70 milhões de contratos de fornecimento de comida para os presos).

Quase um mês depois de assumir o mandato, em 8 de fevereiro de 2019, diante do que viu durante a intervenção que ele comandou, Denarium prometeu uma auditoria nas contas e na folha de pagamento do governo, além de uma reforma austera na estrutura do Estado. Inclusive prometeu fundir as 37 secretarias herdadas da vergonhosa gestão de Suely Campos, criando uma Secretaria Geral que seria comandada pela Casa Civil. Mas nada disso ocorreu, muito menos a redução do número de servidores comissionados.

Além de não ter cumprido nenhuma dessas promessas, o governo Denarium encerrou o ano de 2026 com 41 secretarias, incluindo a administração direta e indireta, com o orçamento anual para manter toda a estrutura governamental chegando a R$ 10 bilhões em 2026 – em 2018, ainda no primeiro mandato, era de R$ 3,6 bilhões. Inclusive, em dezembro passado, Denarium criou mais uma secretaria extraordinária, que se tornou um instrumento para acomodar aliados e mais cargos comissionados.

Nesse momento, na administração do governador Edilson Damião, são 47 secretarias, o que inclui órgãos da Governadoria (que acomoda três secretarias extraordinárias), autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista. Ou seja, são dez secretaria a mais do número deixado pela desastrosa administração de Suely Campos, cuja caixa-preta daquele governo jamais foi aberta, conforme prometido, enterrando uma esperança de que um dia o Estado finalmente seria passado a limpo.

Não à toa as mochilas cheias de dinheiro continuam desfilando após saques milionários em agências bancárias, sob suspeita de esquemas com recursos públicos em licitações fraudulentas. Já que esconder dinheiro em cueca ficou perigoso, antes de se tornar meme, as mochilas se tornaram um símbolo da permissividade da malversação do dinheiro público diante do segredo que se tornou a caixa-preta dos seguidos governos. Tornou-se improvável que algum político prometa novamente fazer uma auditoria nas contas do governo.

*Colunista

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