A educação inclusiva é considerada um dos principais caminhos para garantir o acesso, a permanência e o desenvolvimento de alunos com Transtorno do Espectro Autista, TEA, nas escolas. No Acre, apesar de avanços estruturais e pedagógicos, a rede pública ainda enfrenta desafios para acompanhar o aumento da demanda e garantir atendimento adequado a todos os estudantes.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação (Seme), as escolas passam por um processo contínuo de fortalecimento da inclusão, com investimentos em formação continuada e ampliação das equipes pedagógicas. Em 2024, por exemplo, houve a implementação de equipes multidisciplinares voltadas à educação especial.
Apesar disso, a própria secretaria reconhece a necessidade de ampliar o quadro de profissionais.
“Esse crescimento evidencia a insuficiência do quadro atual de profissionais, tornando necessária sua ampliação para garantir um atendimento adequado e de qualidade aos alunos”, afirma a gerente do Departamento de Educação Especial, Adriana Hiasmini.
Aumento da demanda e falta de profissionais
Apesar dos avanços, o crescimento no número de alunos com autismo tem pressionado a estrutura existente.
Dados do Censo Escolar de 2025 apontam que 2.566 estudantes com TEA estão matriculados na rede municipal, o que pressiona a estrutura existente e a oferta de profissionais especializados.
Desse total, 1.526 alunos são atendidos nas Salas de Recursos Multifuncionais, no contraturno escolar. O número representa aumento em relação a 2023, quando havia 1.705 estudantes com o transtorno, indicando crescimento da demanda por atendimento especializado.
A situação gera sobrecarga nas equipes e limita o suporte oferecido aos alunos.
Outro desafio apontado é a necessidade de maior articulação entre escola, família e serviços de saúde. Segundo a secretaria, quando essa rede não atua de forma integrada, o atendimento ao estudante se torna fragmentado.
Rotina e desafios dentro da sala de aula
Na prática, a inclusão acontece no cotidiano das escolas, com a atuação direta de mediadores. Esses profissionais acompanham alunos com autismo durante as atividades escolares, auxiliando no aprendizado, na socialização e na regulação emocional. Não somente ensinando um aluno, mas mais de um aluno.
As mediadoras Fabiola Ruiz e Samia Cristina acompanham essa realidade diariamente. Uma delas relata que atende três alunos com diferentes diagnósticos, incluindo TEA associado a TDAH e Transtorno Opositivo Desafiador (TOD).
“Nem sempre dá para atender com qualidade toda a demanda. As necessidades e os tempos de aprendizado são diferentes”, afirma Samia Cristina.
A rotina envolve antecipar mudanças no dia escolar, mediar conflitos, identificar possíveis gatilhos de crises e facilitar a interação entre alunos e professores.
Apesar das dificuldades, as profissionais destacam a importância do trabalho para o desenvolvimento dos estudantes.
“O papel do mediador é observar cada criança e ajudar no desenvolvimento. Cada aluno tem suas particularidades e precisa de um olhar mais atento”, afirma Fabiola Ruiz.
Inclusão em construção
As mediadoras também apontam que, em muitos casos, a escola acaba sendo o principal espaço de apoio para os alunos, especialmente quando não há acesso a serviços de saúde ou terapias especializadas.
Com o uso de estratégias pedagógicas e o suporte escolar, há avanços no desenvolvimento, com melhora na autonomia e na participação social dos estudantes.
Mesmo diante dos desafios, a inclusão segue sendo construída no dia a dia das escolas, com avanços e limitações relacionadas à estrutura e ao número de profissionais disponíveis.
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