“Nunca me preocupei; tive certeza que ia sair dessa”, diz Barbudo


Recém-recuperado de um câncer de intestino, o deputado federal Nelson Barbudo (Podemos) afirmou que enfrentou a doença sem temer a morte e atribuiu a recuperação, em parte, à sua postura otimista durante o tratamento.

 

Nunca tive na minha cabeça dúvidas que aquilo ia passar. O médico falou que 60% a 80% é a cabeça

“Eu nunca me preocupei. Sempre tive certeza que ia sair dessa”, disse em entrevista ao MidiaNews.

 

“Nunca tive na minha cabeça dúvidas que aquilo ia passar. O médico falou que 60% a 80% é a cabeça, lógico que tem que fazer a medicina atuar. Mas o médico falou que os pacientes oncológicos que se entregam à depressão, a chance de cura é mínima, porque os hormônios já sabem que o corpo entregou”, completou.

 

A descoberta da doença ocorreu em agosto e começou de forma aparentemente simples, com uma “cólicazinha” sentida enquanto estava em Brasília.

 

Sem histórico de internações, segundo ele, nunca havia sequer tomado soro até os 65 anos, decidiu procurar atendimento médico quase por insistência.

 

Inicialmente, exames descartaram problemas mais comuns, como apendicite ou pedras nos rins, mas uma investigação mais detalhada revelou uma obstrução intestinal considerada severa.

 

Foi ao compartilhar os exames com um médico de confiança, ligado à sua família, que a situação ganhou contornos mais urgentes. A orientação foi direta: ele deveria viajar imediatamente para São José do Rio Preto, suspender a alimentação sólida e se preparar para uma cirurgia de emergência.

 

A confirmação veio pouco depois, em uma conversa franca com o especialista.

 

“O médico falou: O senhor tem um câncer no estágio 4 com metástase. Quer dizer, 4,5. No estádio 5 já é caixão e vela preta”, contou Barbudo.

 

A resposta, no entanto, surpreendeu até a equipe médica. Ao saber que ainda havia “meio estágio” antes do quadro mais crítico, reagiu com otimismo:

 

“Então está fácil, doutor. Se tem meio, Deus vai me ajudar e eu vou escapar”, o deputado relembrou sua reação.

 

A postura firme diante do diagnóstico marcou toda a sua jornada. Barbudo afirmou que, em nenhum momento, se deixou abalar emocionalmente.

 

Ele passou por cirurgia e enfrentou seis meses de quimioterapia, mantendo uma rotina ativa sempre que possível.

 

“É lógico que a quimio faz o efeito, mas eu não queria, não admitia que ela fosse me vencer. Eu iria dar conta disso aí. E assim foi, sempre com essa fé, com esse otimismo, e graças a Deus, até agora o sucesso é 95%, 97%”, afirmou.

 

 

Remissão

 

Durante o tratamento, Barbudo revelou que perdeu cerca de 10 quilos e enfrentou dias restrito a água e gelatina, antes e depois da operação. Ainda assim, ele afirmou que a tranquilidade foi constante em contraste com a preocupação da família.

 

Hoje, após o fim do tratamento, os exames não apontam presença de tumores. O deputado agora entra na fase de acompanhamento, considerada crucial pelos médicos.

 

“A remissão do câncer é em cinco anos. Se em cinco anos não repetir tumores, aí nunca mais repete. Ninguém é bobo, ninguém é hipócrita. Sabe que isso pode voltar, mas nós estamos fazendo os exames de rotina. E, se Deus quiser, não vai voltar mais. Agora, no momento, eu estou livre de tumor”, disse.

 

 

A vida por outro olhar

 

A experiência também provocou mudanças profundas em sua visão sobre a saúde pública.

 

Barbudo disse que, durante as sessões de quimioterapia, conviveu com pacientes em situações difíceis, muitos sem condições financeiras para arcar com medicamentos. A partir disso, decidiu direcionar recursos para ações na área, incluindo a destinação de cerca de R$ 5 milhões para diagnóstico precoce de câncer de pele em municípios de Mato Grosso.

 

Para ele, a vivência pessoal reforçou a necessidade de políticas públicas voltadas aos mais vulneráveis.

 

“Quando a gente vê de perto, entende o quanto ainda precisa melhorar. Vou cobrar muito mais eficiência na saúde”, disse.

 

“Nós precisamos que o Estado ampare aqueles que não têm condições”.

 





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