A situação financeira das famílias brasileiras atingiu um ponto crítico. Uma pesquisa inédita do Instituto Datafolha, divulgada neste domingo (19), apresenta um alerta preocupante sobre a saúde econômica do país: cerca de 50% da população convive diretamente com dívidas. O estudo aponta que 67% dos brasileiros possuem algum tipo de débito ativo, enquanto 21% admitem que já estão com as contas atrasadas, entrando na faixa da inadimplência.
Os dados do Banco Central reforçam o cenário negativo, indicando que o comprometimento da renda das famílias chegou a 29,3% o maior nível da história. Na prática, quase um terço de todo o rendimento mensal do trabalhador é destinado exclusivamente ao pagamento de instituições financeiras.
Os “Vilões” do Orçamento
O cartão de crédito continua sendo a principal armadilha para o bolso dos brasileiros. Segundo o levantamento, o parcelamento no cartão afeta 29% dos entrevistados, seguido de perto pelos empréstimos bancários (26%) e os tradicionais carnês de lojas (25%). Outro dado alarmante é o uso do crédito rotativo — quando se paga apenas o valor mínimo da fatura —, que faz parte da rotina de 27% da população.
O sufoco financeiro também atinge os serviços essenciais. O Datafolha revela que 28% dos brasileiros estão com contas de consumo em atraso. No topo do ranking dos boletos vencidos estão:
Sacrifícios para Sobreviver
Para evitar o colapso total das contas, o brasileiro tem adotado medidas drásticas. A pesquisa mostra que 64% cortaram gastos com lazer e 60% deixaram de comer fora ou substituíram marcas tradicionais por produtos mais baratos no supermercado.
A economia chegou até aos itens de primeira necessidade: metade da população reduziu o consumo de água, luz e gás. O dado mais alarmante da pesquisa mostra a face mais cruel da crise: 40% dos entrevistados afirmaram que precisaram deixar de pagar alguma conta básica para conseguir garantir a sobrevivência e a alimentação no mês.
O Datafolha ouviu 2.002 pessoas em 117 cidades brasileiras entre os dias 8 e 9 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.