A influenciadora Marina Guaragna publicou um vídeo nas redes sociais durante sua passagem pelo Acre em que aborda a figura de Chico Mendes e a resistência que ainda existe em torno de seu legado no estado. No conteúdo, ela parte de comentários recebidos online para discutir o que chama de “disputa de narrativas” envolvendo o ambientalista.
“‘Chico Mendes é um vagabundo, vocês não conhecem a verdadeira história dele’. Esse é o tipo de comentário que a gente recebeu quando chegou aqui no Acre”, afirma. Em seguida, ela questiona a contradição: “Sim, um dos maiores ambientalistas do mundo, reconhecido internacionalmente, recebe ódio dentro do estado em que nasceu. O motivo? Conflito de interesses. Quer ver?”
No vídeo, Marina relembra a trajetória de Chico Mendes e sua relação com a floresta. “Chico Mendes era seringueiro, filho da floresta, vivia nela e entendia na prática como aquele sistema funcionava”, diz. Segundo ela, essa vivência permitiu que ele percebesse mudanças no território. “A floresta começou a virar pasto. Gente de fora chegando, derrubando tudo, cercando a terra”, relata.
A influenciadora contrapõe os modelos econômicos em disputa. “Um modelo que destrói a floresta para colocar na mão de poucos”, afirma. “Só que o que Chico Mendes defendia era o oposto disso. Ele defendia a floresta em pé, gerando renda distribuída para quem vive ali, para quem depende dela”, completa.
Para Marina, esse posicionamento colocou o líder seringueiro em confronto direto com interesses econômicos. “E é exatamente aí que ele virou problema. Quando você defende a floresta em pé, você enfrenta quem lucra derrubando”, declara.
Ao abordar a morte de Chico Mendes, a influenciadora reforça a motivação ligada a esses conflitos. “Chico Mendes não foi morto por acaso. Ele foi assassinado aqui atrás da sua casa porque ele virou um obstáculo”, afirma. “Porque ele foi contra o interesse dessas pessoas que, ainda hoje, tentam distorcer e diminuir a luta dele”, acrescenta.
No conteúdo, ela também critica tentativas de reinterpretação da história do ambientalista. “Tentam transformar em vilão alguém que lutou contra interesses muito grandes e deixou um legado não só para o Brasil, mas para o mundo todo”, diz.
Ao final, Marina faz um apelo direto ao público. “Se você defende que a floresta não deve ser derrubada para dar dinheiro rápido, e acredita que o valor da floresta viva e a dignidade das populações tradicionais são superiores ao lucro imediato de poucos, não tem o porquê de você odiar o maior ambientalista que já existiu no nosso país”, afirma.
Ela conclui destacando o impacto do debate. “Porque, no fim, a gente está caindo de novo em uma disputa de narrativas e de egos, onde quem sai perdendo somos nós e o planeta”, finaliza.
Veja o vídeo: