Prosa e Pesquisa: Janus Pantoja debate violência epistemológica no direito


O programa Prosa e Pesquisa trouxe à tona um tema ainda pouco discutido, mas extremamente relevante no meio acadêmico e jurídico: a violência epistemológica. Durante a entrevista, o advogado e pesquisador Janus Pantoja explicou como o conhecimento pode ser utilizado como instrumento de poder e, em muitos casos, de exclusão dentro da sociedade e das instituições.

Logo no início da conversa, o especialista destacou que o conceito pode parecer complexo à primeira vista, mas está presente no cotidiano de estudantes, professores e profissionais do direito. A violência epistemológica, segundo ele, ocorre quando determinados saberes são privilegiados enquanto outros são silenciados ou ignorados.

Conhecimento e poder caminham juntos

Ao longo da entrevista, Janus Pantoja trouxe reflexões baseadas em pensadores como Michel Foucault, ressaltando que o conhecimento nunca é neutro. Ele está diretamente ligado ao poder e pode ser usado tanto para construir quanto para oprimir.

“O saber e o poder estão interligados. O conhecimento pode ser utilizado para legitimar estruturas que excluem determinados grupos”, explicou durante o programa.

Um exemplo citado foi o ambiente acadêmico, onde muitas produções científicas ainda são dominadas por referências de homens, majoritariamente brancos, deixando de lado outras perspectivas importantes, como as femininas e de grupos historicamente marginalizados.

A exclusão dentro do ensino jurídico

A discussão também abordou o ensino do direito no Brasil. Segundo o entrevistado, ainda existe uma forte herança de um modelo tradicional, em que o professor detém o conhecimento e o aluno assume um papel passivo.

Essa estrutura, de acordo com ele, pode gerar uma forma de violência epistemológica, ao limitar a participação ativa dos estudantes e dificultar o desenvolvimento de pensamento crítico.

Além disso, a linguagem jurídica foi apontada como um fator que contribui para a exclusão. Apesar dos avanços na busca por uma comunicação mais acessível, o chamado “juridiquês” ainda afasta parte da população do entendimento do sistema de justiça.

Invisibilidade e desigualdade de gênero

Outro ponto de destaque foi a discussão sobre gênero e produção do conhecimento. Durante o programa, foi ressaltado que mulheres e outros grupos sociais historicamente tiveram menor acesso aos espaços de produção acadêmica.

Essa ausência reflete diretamente na forma como o direito é construído e aplicado. A invisibilidade de determinadas vozes acaba reforçando desigualdades e limitações no próprio sistema jurídico.

A entrevistadora também destacou que, muitas vezes, políticas como cotas ajudam a abrir portas, mas ainda são insuficientes para promover mudanças estruturais duradouras.

O papel da pesquisa na transformação

Para Janus Pantoja, o principal caminho para reduzir a violência epistemológica é o investimento em pesquisa de qualidade. Ele defende que o conhecimento deve partir de problemas reais e buscar compreender, de forma crítica, as lacunas existentes na sociedade.

“A pesquisa não resolve completamente os problemas, mas ajuda a reduzi-los e a compreendê-los melhor”, afirmou.

O professor também ressaltou a importância de estimular a curiosidade e o pensamento crítico entre os estudantes, incentivando a leitura, o questionamento e a produção de conhecimento próprio.

Uma reflexão necessária para o futuro

A entrevista encerrou com uma mensagem voltada aos estudantes e profissionais do direito: reconhecer que ainda há muito a aprender é o primeiro passo para evoluir.

A discussão sobre violência epistemológica mostra que o direito vai além das leis e normas. Ele está diretamente ligado à forma como a sociedade constrói e distribui conhecimento, impactando vidas, decisões e oportunidades.

O programa reforça a importância de ampliar o debate e promover uma formação mais crítica, inclusiva e consciente dentro do meio jurídico.

Publicidade

NEWSTV

Publicidade

Publicidade



Publicidade

Publicidade

NEWSTV



VER NA FONTE