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Dados do Portal da Transparência indicam que o Ministério da Defesa enviou R$ 21,7 milhões para os contratos sob investigação
Operação aponta que lucros indevidos eram prioridade sobre assistência hospitalar (Divulgação PF)
Os recursos desviados do combate à Covid-19 em Goiás saíram do Ministério da Defesa. A informação foi apurada pelo Mais Goiás, em dados obtidos via Portal da Transparência do Governo Federal. Ao todo, 98% dos quase R$ 22 milhões foram repassados pela mencionada pasta, enquanto os demais 2% foram direcionados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Os valores são o centro da operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) e Controladoria-Geral da União (CGU) na quarta-feira (15/4), que o envolvimento de um médico no desvio de verbas direcionadas a Organizações Sociais (OSs) para pagamento de propinas no estado..
A investigação acontece em contratos superfaturados e no direcionamento de licitações para a gestão de hospitais de campanha durante a pandemia. Segundo a PF, o grupo utilizava as estruturas das OSs para operacionalizar o desvio de verbas que deveriam ser aplicadas no combate à crise sanitária. Ao todo, foram expedidos 50 mandados judiciais contra crimes de corrupção, peculato e lavagem de capitais.
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Alvos da PF
Entre os principais alvos estão gestores e empresários ligados ao setor de saúde. A polícia continua as buscas por Roberto Leandro Carvalho, da empresa Mediall Brasil, que é considerado foragido. Seus sócios, Hilton Rinaldo Salles Piccelli e Rudson Teodoro da Silva, já foram detidos. A operação também alcançou Otávio Guimarães Favoreto (Lifecare) e o médico Sérgio Daher, superintendente da Agir, que foi alvo de buscas junto com dois filhos.
Até o fechamento desta edição, a reportagem não obteve retorno dos contatos realizados com a Mediall Brasil e com a assessoria da Agir. Não há informações atualizadas sobre o paradeiro de Roberto Leandro Carvalho ou sobre o estado das defesas jurídicas dos demais citados. O espaço permanece aberto para manifestações.

Desvios do combate à Covid
O esquema envolvia contratos superfaturados e o uso de empresas parceiras para desviar recursos destinados ao combate à pandemia. As investigações apontam que a estrutura da Organização Social alvo das ações era utilizada para viabilizar lucros indevidos por meio de simulações de concorrência e direcionamento de editais, nos quais empresas ligadas ao dirigente da OS eram contratadas com valores acima do mercado.
O braço da investigação batizado de Operação Rio Vermelho foca especificamente na gestão de recursos destinados ao enfrentamento da pandemia de Covid-19 em unidades de campanha. Segundo a PF, o esquema era alimentado pelo superfaturamento de serviços: o excedente financeiro, além de enriquecer os envolvidos, servia para garantir o “silêncio” e a conivência de agentes públicos que deveriam fiscalizar a execução dos contratos nas unidades.
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