Bailarina brasileira Bethania Nascimento é homenageada em Nova York


A bailarina brasileira Bethania Nascimento F. Gomes retorna aos palcos de Nova York nesta quinta-feira (16) como a grande homenageada na reestreia de “O Pássaro de Fogo”. Intérprete do papel principal na Dance Theatre of Harlem nos anos 2000, Bethania foi a única estrangeira e brasileira a ocupar o posto de primeira-bailarina nesta versão afro-caribenha do clássico russo. A celebração marca a abertura da temporada da companhia e reconhece uma trajetória que rompeu barreiras para mulheres negras no balé clássico internacional.

Em entrevista à Agência Brasil, Bethania ressaltou que sua ascensão não foi fruto de uma “pena mágica”, mas de resiliência contra o racismo que enfrentou no início da carreira. Após episódios de discriminação no Rio de Janeiro, que a impediram de seguir no Theatro Municipal, ela encontrou na companhia norte-americana o espaço para se consagrar. Para a bailarina, o papel do pássaro simboliza o renascimento, ajudando-a inclusive a superar o luto pela morte de sua mãe, a intelectual Maria Beatriz Nascimento.

A versão da Dance Theatre of Harlem, fundada por Arthur Mitchell, transporta o conto de Igor Stravinsky para um contexto afrofuturista e diaspórico. Com figurinos e cenários do artista Geoffrey Holder, de Trinidad e Tobago, a ave mítica deixa de ser uma fênix tradicional para se tornar uma criatura tropical. Bethania descreve a performance como uma reverência à sua ancestralidade e à orixá Iansã, destacando a força da heroína que traz a vida após as cinzas em um cenário de cores vibrantes.

Apesar do sucesso internacional, Bethania Nascimento mantém um olhar crítico sobre a falta de representatividade nos palcos brasileiros. Ela questiona a sobrerrepresentação de bailarinas brancas em um país de maioria afrodescendente e utiliza seu legado para pavimentar caminhos para novas gerações. Atualmente, Bethania atua como treinadora e coreógrafa internacional, além de se dedicar à preservação da obra intelectual de sua mãe, unindo a arte da dança à militância pela visibilidade negra.

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