Algumas pessoas têm essa capacidade única de serem diretas e objetivas. São tão marcantes que dizem tudo num ritmo que nos prende a atenção. O que fazem — seja escrever, cantar ou tocar — transborda uma autenticidade que encanta de imediato.
Escrevi esta frase no intuito de elogiar uma pessoa que acabara de ser agraciada com a imortalidade ao ser empossada membro da Academia Mato-Grossense de Letras. Trata-se de uma honraria para poucos, a se considerar a enorme responsabilidade que é ocupar lugar tão ímpar — situação praticamente inimaginável para a maioria das pessoas que, cada vez mais, confundem o efêmero com o eterno. Isso ocorre, sobretudo pela pouca informação sobre o sentido da imortalidade acadêmica: a transferência do “eu” biológico para o “eu” intelectual.
Ocupar uma cadeira acadêmica vai além do reconhecimento de uma trajetória; é o compromisso de manter viva a chama de uma cultura que resiste ao tempo. Ser imortal, nesse contexto, é entender que a técnica deve estar a serviço de uma verdade maior. É essa verdade que permite ao autor, ao músico ou ao orador tocar o intangível, transformando o ofício cotidiano em um legado que não se apaga.
Essa transição do biológico para o intelectual exige uma entrega absoluta à própria essência. Não há magnetismo sem verdade, assim como não há imortalidade sem coerência. Quando a pessoa que admiramos alinha o que sente ao que expressa, ela deixa de ser apenas uma figura…
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