EUA acusam Irã de impasse nuclear após fracasso em negociações no Paquistão



As negociações entre Estados Unidos e Irã, mediadas pelo Paquistão, foram encerradas neste domingo (12) sem acordo, após cerca de 21 horas de conversas em Islamabad. O encontro, que buscava avançar em um entendimento de paz e reduzir tensões recentes, terminou marcado por trocas de acusações entre as duas delegações.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Qalibaf, afirmou que o Irã apresentou propostas “propositivas”, mas criticou a postura norte-americana. Segundo ele, Washington falhou em construir confiança durante as negociações.

Pelo lado iraniano, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, declarou que o colapso das conversas se deveu a divergências em “duas ou três questões importantes”. Entre os temas discutidos estaria o Estreito de Ormuz, fundamental para o transporte global de petróleo. Baghaei acusou os Estados Unidos de “extrapolação” nas exigências, sem mencionar diretamente o tema nuclear.

Já os norte-americanos atribuíram o impasse principalmente à recusa do Irã em assumir um compromisso claro de abandonar seu programa nuclear. O vice-presidente JD Vance, que liderou a delegação dos EUA, foi enfático ao afirmar que esse ponto era inegociável.

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“Precisamos ver um compromisso afirmativo de que eles não buscarão uma arma nuclear”, declarou Vance após o término das reuniões. Ele também avaliou que o fracasso das negociações representa “uma notícia pior para o Irã do que para os Estados Unidos”.

Segundo o vice-presidente, os EUA deixaram claros seus limites e concessões possíveis ao longo das 21 horas de diálogo, mas os iranianos optaram por não aceitar os termos apresentados. Vance reforçou ainda que a falta de avanço coloca em risco um cessar-fogo considerado frágil, com duração de duas semanas.

As conversas haviam começado no sábado (11), com expectativa de continuidade ao longo do domingo, o que não se concretizou. Com o fim das negociações e a saída das delegações de Islamabad, cresce a incerteza sobre os próximos passos diplomáticos e o risco de escalada nas tensões entre os dois países.



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