internautas questionam se a humanidade esteve na Lua há 55 anos


EUA – Cinquenta e cinco anos separam dois marcos fundamentais da exploração espacial. Apesar do avanço tecnológico, o sucesso da Artemis II trouxe à tona uma discussão antiga sobre a veracidade das missões Apollo. Nas redes sociais, comentários céticos ganharam tração logo após a notícia do pouso da cápsula no mar.

(Foto: Reprodução Redes Sociais)

Enquanto o mundo celebrava, há pouco mais de meio século, os passos de Alan Shepard e Edgar Mitchell (o 5º e 6º homens a pisar na Lua pela missão Apollo 14), a história voltou a ser escrita na noite desta sexta-feira (10).

A cápsula Orion, da missão Artemis II, amerrissou com sucesso nas águas do Oceano Pacífico, a cerca de 3,1 mil quilômetros da costa de San Diego, Califórnia. A bordo, os astronautas Reid Wiseman, 50, Victor Glover, 49, Christina Koch, 47, e Jeremy Hansen, 50, completaram uma jornada épica de circunavegação lunar, marcando o retorno de seres humanos às proximidades do satélite após mais de 50 anos.

O retorno seguro da tripulação não é apenas uma vitória técnica; é o sinal verde que a NASA precisava para a Artemis III. Se nesta etapa a Orion apenas orbitou a Lua para testar sistemas de suporte à vida e navegação, a próxima missão prevista para 2028 terá o objetivo ambicioso de levar a humanidade de volta à superfície lunar, incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pisar no solo do satélite.

Apesar do avanço tecnológico, o sucesso da Artemis II trouxe à tona uma discussão antiga sobre a veracidade das missões Apollo. Nas redes sociais, comentários céticos ganharam tração logo após a notícia do pouso da cápsula no mar.

“Óbvio que é mentira, hoje em dia com a tecnologia bem mais à frente eles não desceram na Lua, só passaram”, afirmou uma internauta, sugerindo que a dificuldade atual em pousar provaria a falsidade do passado.

“A primeira fake news ninguém nunca esquece”, ironizou outro internauta.

Por outro lado, houve quem buscasse contextualizar a diferença entre as eras espaciais.

“No Programa Apollo, o pouso só aconteceu na missão Apollo 11, após cerca de 10 tentativas anteriores. Já no Programa Artemis, o primeiro pouso está previsto para ocorrer apenas na Artemis 3”.

Por que ainda duvidamos?

A dúvida sobre o homem ter pisado na Lua em 1969 e nos anos seguintes é um dos mitos mais persistentes da cultura moderna. Mas por que essa desconfiança resiste mesmo com evidências físicas (como os 382 kg de rochas lunares trazidos e os espelhos deixados lá para medição a laser)?

Muitas pessoas acreditam que os EUA, desesperados para vencer a corrida espacial contra a União Soviética, teriam forjado o pouso em um estúdio. No entanto, especialistas apontam que, se fosse falso, a própria URSS teria sido a primeira a denunciar a fraude.

Há 50 anos, a tecnologia de transmissão e fotografia era analógica. Curiosamente, a falta de estrelas no fundo das fotos (causada pelo tempo de exposição das câmeras para o solo brilhante) e a bandeira que “parece tremular” (resultado da inércia em um suporte de metal, já que não há vento) são os argumentos mais usados, mas já foram refutados pela física básica.

A pergunta “Se fomos lá há 50 anos, por que não voltamos mais?” é o combustível do ceticismo. A resposta, contudo, é menos conspiratória e mais pragmática. O Programa Apollo consumia cerca de 4% do orçamento federal dos EUA na época; hoje, a NASA opera com menos de 0,5%. Além disso, o foco mudou para a Estação Espacial Internacional (ISS) e missões robóticas por décadas.

É importante notar que a tecnologia para forjar um pouso na Lua de forma convincente em 1969 considerando a luz solar paralela e as sombras perfeitas simplesmente não existia. Hoje, curiosamente, temos tecnologia para criar vídeos falsos (deepfakes), mas também temos a tecnologia da Artemis para provar, de uma vez por todas, que o solo lunar está logo ali, esperando por nosso retorno.

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