
O juiz Thiago Russi Rodrigues manteve, nesta sexta-feira (10), a prisão preventiva do tenente-coronel do Exército, Kleber Yanez do Nascimento, réu por feminicídio em contexto de violência doméstica. Ele está preso desde outubro de 2025, quando matou sogro Diogênio Mayer, que tentava proteger a filha e a neta de disparos de arma de fogo em uma briga familiar em outubro de 2025.
A decisão foi publicada três dias após uma audiência de instrução que reuniu as partes do processo no Fórum Criminal Ministro Evandro Lins e Silva – defesa, acusação, Ministério Público e o magistrado do caso.
O magistrado afirmou que “permanecem íntegros os requisitos” do Código de Processo Penal que justificaram a prisão desde o início do processo.
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Ele destacou, ainda, que a medida é necessária “para a garantia da ordem pública, diante da gravidade concreta e do modus operandi da conduta imputada”. Além disso, o juiz reforçou que medidas cautelares não seriam suficientes.
Durante a audiência, o Ministério Público (MPRR) pediu a manutenção da prisão, argumentando que a gravidade dos fatos e a repercussão social do caso exigem uma resposta firme do Judiciário.
O assistente de acusação acompanhou o entendimento e também defendeu que o militar permaneça preso.
Por outro lado, a defesa solicitou a revogação da prisão preventiva e a substituição por medidas cautelares. O pedido, no entanto, foi negado pelo juiz.
Ao decidir, o magistrado também considerou que o andamento do processo está dentro da normalidade. Segundo ele, o prazo da prisão “se encontra razoável […] não caracterizando desrespeito ao princípio da duração do processo”.
Processo segue para fase final
Com a instrução encerrada, as partes terão prazo para apresentar alegações finais por memoriais. Depois disso, o juiz deve decidir se o caso será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
O magistrado ainda ressaltou que a prisão pode ser reavaliada futuramente. “A custódia cautelar será revisada posteriormente”, pontuou.
Relembre o caso
Segundo a denúncia do Ministério Público, o sogro do militar, Diogênio Mayer, foi baleado pelo tenente-coronel ao tentar proteger a filha e a neta. Ele foi atingido no abdômen e morreu dias depois.
A acusação sustenta que os disparos tinham como alvo a esposa do militar, o que enquadra o caso como feminicídio, mesmo com a morte do sogro.
Ainda conforme a denúncia, a situação começou após uma confraternização familiar com consumo de bebida alcoólica e evoluiu para agressões físicas dentro da residência.
Durante a confusão, uma das filhas do casal pediu ajuda a familiares, que foram até o local. Houve luta corporal, e, em seguida, o militar efetuou disparos, inclusive contra outros presentes, que conseguiram se proteger.