
O dólar registrou a terceira queda consecutiva no mercado brasileiro nesta sexta-feira (10) e chegou a se aproximar do patamar de R$ 5,00, considerado um nível psicológico relevante. A desvalorização da moeda norte-americana ocorre em meio à redução das tensões geopolíticas e ao enfraquecimento global do dólar.
Ao longo do dia, o câmbio foi influenciado pela expectativa de início das negociações entre Estados Unidos e Irã, além da perspectiva de manutenção de um diferencial elevado entre os juros brasileiros e internacionais. Esse cenário favorece moedas de países emergentes, como o real.
Com mínima de R$ 5,0055 durante a tarde, o dólar à vista encerrou o pregão em queda de 1,03%, cotado a R$ 5,0115. Na semana, a moeda acumulou recuo de 2,88%. No mês, a perda chega a 3,23% e, no acumulado do ano, a queda é de 8,70% frente ao real.
O desempenho da moeda brasileira também foi impulsionado pela entrada de capital estrangeiro no país. No mesmo dia, o Ibovespa renovou máxima histórica e ultrapassou os 197 mil pontos, sustentado principalmente pela valorização das ações da Petrobras, mesmo com a queda no preço internacional do petróleo.
Cenário Externo e Aversão ao Risco
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Analistas apontam que a redução, ainda que parcial, das tensões no Oriente Médio contribuiu para diminuir a aversão ao risco global, favorecendo a busca por ativos em mercados emergentes. O diferencial de juros continua sendo um dos principais atrativos do Brasil para investidores internacionais.
No cenário interno, dados de inflação reforçaram a expectativa de uma condução mais cautelosa da política monetária. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,88% em março, acima do observado em fevereiro e das projeções do mercado, pressionado principalmente pelo aumento nos preços de combustíveis.
A leitura predominante entre economistas é de que o Banco Central deve manter o ritmo moderado de cortes na taxa básica de juros, com redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião. A manutenção de juros elevados, mesmo com o ciclo de queda, tende a sustentar o interesse de investidores estrangeiros no país.
Impacto da Inflação e Perspectivas Futuras
No exterior, a inflação ao consumidor nos Estados Unidos também acelerou em março, influenciada pelos preços de energia, mas dentro do esperado. Já indicadores de confiança mostraram deterioração, indicando desaceleração da atividade econômica.
Para especialistas, esse conjunto de fatores reduz a pressão por alta de juros nos Estados Unidos e contribui para o fortalecimento de moedas como o real. A expectativa é que, caso o cenário externo permaneça estável, o câmbio siga próximo dos níveis atuais no curto prazo.