Goiás – A advogada Carolina Câmara C. B. Martins fez um desabafo público sobre a violência doméstica que sofreu durante quase três anos, além de relatar a decisão de desistir da ação judicial por não encontrar garantia efetiva nas medidas protetivas. Em entrevista ao Jornal Opção, Carolina afirmou: “Ele pode concretizar o que sempre quis, há tanto tempo: me matar”, disse.
Nas redes sociais, a advogada relatou que, as medidas protetivas foram ineficazes e o medo que ainda sofre. “Eu fiz tudo. Denunciei. Pedi ajuda. Foram mais de 13 denúncias. Pedi medidas protetivas. Confiei no sistema. E mesmo assim, continuei com medo”, escreveu ela.
Conforme a vítima, no dia 7 de setembro de 2025, ela foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) para exames que constataram lesões no tórax, cabeça e corpo. Apesar do agressor ter sido preso em flagrante, ele foi liberado na audiência de custódia e passou a responder em liberdade.
No entanto, o homem continuou tentando aproximação com a mulher. Em novembro, a Justiça determinou o uso de tornozeleira eletrônica pelo agressor e entregou a Carolina um botão de pânico, que deveria alertar a polícia em caso de risco.
“O que veio depois foi pior: aproximações constantes, contatos, botão do pânico disparando de madrugada. Um terror psicológico diário. Eu liguei. Informei. Pedi socorro. Durante meses, a polícia foi ao local uma única vez. Os descumprimentos? Tratados como “percursos”. Em uma cidade do tamanho de Goiânia, onde é óbvio que dá pra evitar certos caminhos”, escreveu Carolina.
Ela explicou que toda a situação gerava um “terror psicológico diário”. Carolina enfatizou que, em Goiânia, as medidas de proteção falharam completamente:
“Ouvi dentro da delegacia que ele ia me matar. Ouvi que precisava ‘levar a público’ pra que algo fosse feito. Hoje eu entendo por que tantas mulheres morrem. Não é falta de denúncia. Não é falta de prova. Não é falta de coragem. É um sistema que falha”, relatou.
