Representantes do setor produtivo maranhense se posicionaram oficialmente contra a proposta de criação da Reserva Extrativista (RESEX) Tauá-Mirim. O posicionamento foi formalizado na última terça-feira (8), por meio de um ofício encaminhado ao governador Carlos Brandão.
O documento reúne assinaturas de entidades como FIEMA, CIEMA, FAEM, FECOMÉRCIO, FAEMA, FCDL, AJE e ACM, que solicitam a intermediação do Governo do Estado junto à Presidência da República para manifestar contrariedade ao projeto. O pedido é acompanhado de um relatório técnico que aponta possíveis impactos econômicos e estruturais da medida.
Área estratégica para a economia
Segundo o setor empresarial, a área prevista para a reserva engloba regiões consideradas estratégicas para a economia da Ilha de São Luís, incluindo o Distrito Industrial (DISAL). O espaço abriga grandes empreendimentos industriais e logísticos em operação desde a década de 1980.
De acordo com dados citados no documento, os setores de indústria e construção civil empregavam cerca de 50 mil trabalhadores formais na capital em 2024. Considerando empregos indiretos, a estimativa chega a aproximadamente 100 mil postos, além de uma contribuição significativa para o Produto Interno Bruto (PIB) local.
Possíveis impactos no setor portuário
Outro ponto levantado pelas entidades diz respeito ao funcionamento do complexo portuário do estado. O Maranhão registrou movimentação de mais de 223 milhões de toneladas de cargas em 2025, com destaque para terminais como Ponta da Madeira, Porto do Itaqui e Alumar.
O relatório aponta que a criação da RESEX poderia impor restrições à navegação no Estreito dos Coqueiros, considerado essencial para operações logísticas, o que, segundo o setor, poderia afetar a competitividade das exportações maranhenses.
No campo legal, o documento argumenta que a proposta não se enquadraria nos critérios previstos pela legislação ambiental, especialmente no que diz respeito ao perfil das comunidades envolvidas. As entidades defendem que a região já possui forte inserção na economia formal.
Como exemplo, é citado um projeto aprovado na Câmara Municipal que prevê a ampliação de oportunidades no setor industrial para moradores da zona rural, indicando uma tendência de integração produtiva.
Além dos impactos econômicos, o setor empresarial também destaca possíveis reflexos estratégicos. Segundo o documento, o Maranhão tem ganhado relevância em projetos ligados à exploração energética e à defesa nacional.
Para as entidades, a criação da reserva pode gerar entraves nesse cenário, sendo considerada incompatível com interesses logísticos e de desenvolvimento do estado.
O pedido agora aguarda análise do Governo do Maranhão, que deverá avaliar o encaminhamento da demanda ao Governo Federal.