Pesquisadores, produtores rurais, acadêmicos e representantes do governo, participam nesta quinta-feira (9), do encontro promovido pela Embrapa, voltado ao fortalecimento da produção de grãos em Roraima. A programação, que segue com palestras e painéis técnicos, busca aproximar a pesquisa científica da realidade do campo e apontar caminhos para ampliar o crescimento do setor no estado.
Em entrevista à FolhaBV, a chefe adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa-RR, Maristela Xaud, destacou que a proposta é discutir soluções práticas para desafios históricos da região.
“Temos um gargalo importante relacionado à fertilidade dos solos e às condições climáticas, que são muito peculiares. A pesquisa busca justamente alternativas para amenizar esses fatores e ampliar a produção”, afirmou.


Segundo ela, uma das principais estratégias é a adoção de sistemas integrados de produção, como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), além do uso de bioinsumos. “A ideia é não depender apenas de uma única safra. Com esses sistemas, conseguimos diversificar culturas, melhorar o solo e aumentar a produtividade ao longo do ano”, explicou.
Roraima projeta crescimento e aposta em planejamento
O secretário estadual de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação, Márcio Granjeiro, reforçou que o setor é estratégico para o crescimento econômico de Roraima. “O cultivo de grãos é fundamental para geração de emprego e renda. O estado tem trabalhado para fortalecer essa atividade com planejamento e políticas públicas”, disse.


Segundo ele, iniciativas como a “Rota dos Grãos”, onde é realizado um levantamento anual da produção das áreas produtivas, e o plano Roraima 2030, que propõe desenvolvimento sustentável, ajudam a orientar o crescimento do setor. A área plantada no estado saltou de cerca de 55 mil hectares em 2018 para 170 mil em 2025, com expectativa de expansão nos próximos anos.
“Nós temos inúmeras atividades e uma delas é a Rota dos Grãos e o plano Roraima 2030, onde um dos seus eixos é o desenvolvimento sustentável. Na agricultura familiar, através do Iater, nós cultivamos mais de 3.500 hectares agora em 2025. Nas comunidades indígenas, qualificamos uma área que possa ser utilizada com outras culturas no futuro. A nossa expectativa é que este ano ela seja aumentada de 10 a 15.000 hectares”, relatou.
Pesquisa e produtores destacam potencial e desafios futuros
Entre os temas discutidos no encontro está a possibilidade de cultivo de trigo em Roraima, ainda em fase experimental. O pesquisador da Embrapa Trigo, Dr. Vanoli Fronza, explicou que os estudos buscam adaptar a cultura às condições locais. “É um ambiente diferente de qualquer outro onde se planta trigo no mundo. Isso mostra o tamanho do desafio, mas também das possibilidades”, destacou.
De acordo com o pesquisador, os primeiros testes indicam potencial, principalmente no cultivo irrigado, mas ainda não possuem garantias de viabilidade econômica, no momento. “Podemos dizer que, se as pesquisas avançarem, Roraima estará apta para produzir trigo, as expectativas são as melhores, mas ainda requer muito trabalho pela frente”, enfatizou.


Álvaro Calegari, pioneiro na produção de soja no estado, que vive a realidade do campo, reconhece o papel da pesquisa. Para ele, esse diálogo é essencial para o avanço da agricultura. “A Embrapa foi fundamental. Ninguém produz sem pesquisa. Foi ela que nos mostrou como corrigir o solo e aumentar a produtividade”, afirmou.
O produtor rural ainda reforçou que o futuro da produção depende do equilíbrio entre crescimento e preservação ambiental. “Produzir mais em menos área, com sustentabilidade, é o grande desafio”, concluiu.


O evento segue com uma programação extensa até esta sexta-feira (10). As inscrições podem ser podem ser realizadas previamente no site da Embrapa ou no local do evento, na Avenida Brasil, 3911, Distrito Industrial Gov. Aquilino Mota Duarte.