Venezuela volta a restringir produtos brasileiros sem aviso prévio



Uma nova restrição do governo da Venezuela voltou a afetar a entrada de produtos brasileiros no País, especialmente oriundos de Roraima. A medida não foi oficialmente comunicada, tampouco explicada pela nação vizinha. O problema teria começado na semana passada.

Sob condição de anonimato, uma empresária brasileira, que lida diretamente com o comércio exterior, afirmou que itens como composto lácteo e margarina – tradicionais na pauta de exportação brasileira – estão sendo barrados não na entrada formal, mas na circulação interna dentro do território venezuelano.

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Segundo ela, o problema ocorre após a liberação inicial da carga.

“O [certificado] Comex aprova a licença, a mercadoria entra pela aduana de Santa Elena, é nacionalizada normalmente, mas na hora de emitir a guia de mobilização no sistema da Sunagro [Superintendência Nacional de Gestão Agroalimentar], o sistema não permite. Ou seja, o produto entra, mas não pode circular”, relatou a empresária, a qual afirmou ainda que a decisão afetou mais de 20 cargas.

Contradição interna

O bloqueio estaria relacionado a entraves dentro do próprio governo venezuelano. A denúncia é de que autorizações são concedidas por um órgão e travadas por outro, criando uma contradição institucional.

No centro da situação, segundo o relato da empresária, está o vice-ministro de Alimentação da Venezuela, Francisco Fonseca, que estaria travando as mercadorias.

“Eles aprovam tudo no Comex, mas o sistema da Sunagro trava. Há algo por trás disso. Parece uma decisão deliberada”, afirmou.

A empresária também questiona a justificativa técnica apresentada por autoridades locais acerca da qualidade dos produtos brasileiros.

“O Brasil exporta desde 2016 produtos aptos para consumo humano. Questionar isso agora levanta dúvidas sobre interesses internos”, disse.

Por e-mail, a Folha BV questionou os ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços acerca de providências para resolver a restrição, mas não recebeu retorno.

Esta é a terceira restrição imposta pelo País vizinho em menos de um ano. Na primeira, em julho de 2025, a nação voltou a aplicar taxas de até 77% sobre os produtos do Brasil. Na segunda, em março, mercadorias como margarina, composto lácteo e trigo foram afetadas.

A Venezuela é, historicamente, o maior parceiro comercial de Roraima. Em 2025, o Estado exportou 83,2 milhões de dólares em produtos (ou R$ 431,2 milhões) para o País. Inclusive, existe um acordo comercial do Brasil com a nação vizinha para facilitar a exportação bilateral.



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