Guajará-Mirim torra R$ 500 mil em shows enquanto população enfrenta abandono histórico


Entre carências crônicas em saneamento, infraestrutura e serviços básicos, Guajará-Mirim prioriza gasto elevado com entretenimento, ampliando a revolta popular e levantando questionamentos sobre o uso de recursos públicos. A denúncia ganhou repercussão após manifestação do pré-candidato à Presidência pelo Partido Missão, Renan Santos.

A polêmica ganhou força nesta semana após a circulação de um vídeo nas redes sociais. Segundo as informações divulgadas, o deputado estadual Alan Queiroz estaria envolvido na destinação de recursos para viabilizar o show da cantora Juliana Caetano, conhecida no showbiz como Juliana Bonde.

O evento, estimado em R$ 500 mil, provocou reação imediata da população, que questiona a aplicação do dinheiro público em meio a carências históricas. Para muitos moradores, o valor deveria ser investido em áreas essenciais, como saúde, infraestrutura e saneamento.

O morador Gelson Veda sintetizou o sentimento de indignação. “Minha cidade está literalmente parada no tempo. Infraestrutura precária, ruas abandonadas, comércio enfraquecido, falta de oportunidades e uma juventude que precisa ir embora para ter futuro. Não há investimento real, não há desenvolvimento, não há visão.”

A apresentação está prevista para o aniversário do município, na próxima sexta-feira, 10 de abril. No entanto, a repercussão negativa já ultrapassou os limites locais e ganhou dimensão nacional. O caso passou a ter maior visibilidade após Renan Santos, um dos fundadores do Movimento Brasil Livre e pré-candidato à Presidência pelo Partido Missão, criticar publicamente o que classificou como uso inadequado de recursos públicos.

Para sustentar a crítica, ele apresentou dados socioeconômicos do município, destacando o contraste entre o gasto elevado com o evento e a realidade local. Segundo ele, cerca de 5 mil famílias são atendidas pelo Bolsa Família, com benefício médio de R$ 770 mensais. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade gira em torno de 0,6, considerado baixo. Em tom contundente, o ativista afirmou que o município depende significativamente de repasses públicos e, ainda assim, não consegue resolver problemas históricos. Para ele, a realização de um evento de alto custo nesse contexto evidencia uma inversão de prioridades e levanta dúvidas sobre a real finalidade do investimento público.

Nas redes sociais, a própria Juliana Bonde reagiu de forma irônica após ter o nome citado por Renan Santos, comentando: “sou fã”.

Diante do cenário, cresce a pressão popular para que o caso seja apurado pelo Ministério Público, com possível abertura de investigação sobre a destinação dos recursos públicos por meio da Assembleia Legislativa (Alero). Para a população, mais do que um evento, o episódio escancara um padrão de gestão marcado por prioridades questionáveis, ausência de planejamento e indícios de descaso com problemas históricos. O contraste entre as prioridades do poder público e as necessidades reais da população tem gerado forte indignação. “É um absurdo diante da realidade que a gente vive”, afirma um morador que preferiu não se identificar.

Os problemas estruturais que acompanham o município são tão antigos quanto a própria cidade, que surgiu à sombra da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Ponto final da linha férrea, Guajará-Mirim já viveu períodos de forte dinamismo econômico, especialmente durante a chamada “febre dos importados”. Desde então, enfrenta um processo contínuo de estagnação.

Hoje, a cidade sobrevive, em grande parte, dos repasses dos governos federal e estadual. Na prática, os indicadores revelam uma economia altamente dependente do setor público. Se faltam investimentos estruturais, sobram problemas. Em frente à Prefeitura, a Praça Jorge Teixeira permanece há anos sem melhorias significativas. O espaço, que poderia servir como área de lazer para famílias, apresenta infraestrutura precária e sinais evidentes de abandono, recebendo apenas serviços pontuais de limpeza. Pouco lembrado atualmente, o local também carrega um marco histórico: já funcionou como o antigo aeroporto do município.

Outro símbolo local, a Praça Mário Corrêa, conhecida como “Praça do Coreto”, resiste como memória viva da chamada “Pérola do Mamoré”. Situada em frente à Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, já foi ponto de encontro de gerações e palco de momentos marcantes da história local. Hoje, no entanto, também carece de manutenção urgente.

Caminhar pelas ruas de Guajará-Mirim é revisitar o passado. A cidade ainda preserva traços do período da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, um dos capítulos mais importantes de sua formação. O valor histórico, porém, contrasta com problemas estruturais crônicos que se arrastam há décadas.

Entre os problemas mais críticos está a situação do cemitério público Cristo Rei, que opera em condição de superlotação. Desde 2007, o município de Guajará-Mirim tenta viabilizar a construção de uma nova unidade, sem sucesso. No período chuvoso, o cenário urbano se agrava: ruas alagam, a mobilidade fica comprometida e a precariedade da infraestrutura se torna ainda mais evidente.

A reportagem deixa espaço para manifestação do deputado Alan Queiroz e demais envolvidos, para que possam esclarecer os pontos citados.

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