Sinais do autismo: especialistas do Acre explicam o que observar nas crianças e quando procurar ajuda


O mês de abril é marcado pela cor azul em conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ao longo do mês, A GAZETA traz reportagens sobre o tema. Para esclarecer dúvidas sobre os sinais, o diagnóstico e a importância da identificação precoce, a reportagem conversou com as neuropediatras Larissa de Vito e Bruna Beyruth.

Segundo as especialistas, o Transtorno do Espectro Autista é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades na interação social, na comunicação e pela presença de comportamentos e interesses restritos e repetitivos, que podem causar prejuízos na vida do indivíduo.

A identificação precoce dos sinais é considerada fundamental para que a criança inicie as intervenções o mais cedo possível, preferencialmente antes dos 5 anos de idade, período em que o cérebro apresenta maior capacidade de adaptação, chamada de neuroplasticidade. Isso impacta diretamente no desenvolvimento da linguagem, da interação social e da autonomia ao longo da vida.

“As primeiras coisas que a gente tem que observar é se foge do padrão. Então, aquela criança que tem atraso de fala e que tem dificuldade de interagir com os colegas”, explica a doutora Bruna Beyruth.

Sinais do autismo: especialistas do Acre explicam o que observar nas crianças e quando procurar ajuda
Doutora Bruna Beyruth – Doutora Larissa de Vito / Foto: Arquivo pessoal

Quando procurar ajuda

As neuropediatras orientam que os pais devem procurar avaliação especializada assim que perceberem qualquer atraso no desenvolvimento ou comportamento diferente do esperado. Não é necessário aguardar a presença de vários sinais para buscar ajuda.

A principal orientação, segundo elas, é não ignorar sinais de alerta. Investigar precocemente não significa rotular a criança, mas garantir que ela receba o suporte necessário no momento mais importante do desenvolvimento.

“Eu acho que os principais obstáculos que as famílias encontram vão desde o acesso ao profissional especialista até o preconceito dentro de casa. Muitas vezes, as pessoas têm o hábito de dizer: ‘eu só falei depois dos dois anos’, ‘eu só falei com quatro anos, então é normal’. Existe sempre essa questão da falta de informação”, relata a doutora Bruna.

Sinais de alerta

Entre os principais sinais que os pais devem observar nas crianças estão:

• Pouco contato visual
• Não responder ao nome
• Atraso na comunicação
• Dificuldade em interagir com outras pessoas
• Andar na ponta dos pés
• Movimentos repetitivos
• Resistência a mudanças de rotina
• Enfileirar objetos
• Dificuldade em aceitar determinadas texturas de alimentos

Alguns comportamentos também podem ser confundidos com “coisa da idade”, como apego a objetos, pouca interação social, preferência excessiva por brincar sozinho, dificuldade em lidar com mudanças, não dar função adequada aos brinquedos e intolerância à frustração, o que pode atrasar a busca por avaliação.

De acordo com as médicas, os sinais podem ser percebidos ainda no primeiro ano de vida, mas costumam ficar mais evidentes entre 1 ano e meio e 2 anos de idade. Os sintomas começam a aparecer desde o nascimento, porém são mais difíceis de reconhecer no primeiro ano.

Entre os principais obstáculos enfrentados pelas famílias para conseguir o diagnóstico estão a falta de informação sobre os sinais e sintomas iniciais, a dificuldade de acesso a especialistas e a minimização dos sintomas por parte de profissionais, familiares, educadores e da sociedade.

“O diagnóstico precoce possibilita intervenções específicas que favorecem o desenvolvimento da comunicação, das habilidades sociais e da autonomia. Quanto mais cedo a criança recebe estímulos adequados, melhores tendem a ser os desfechos a longo prazo”, diz a doutora Larissa de Vito.

As especialistas reforçam que o diagnóstico precoce possibilita intervenções específicas que favorecem o desenvolvimento da comunicação, das habilidades sociais e da autonomia, e que, quanto mais cedo a criança recebe estímulos adequados, melhores tendem a ser os resultados a longo prazo.

“Mães, sigam seus instintos! Se você acha que algo não está acontecendo como deveria com o seu filho, procure orientação e avaliação”, orienta a doutora.



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