Um sensor de baixo custo para medir a poluição do ar será lançado nesta segunda-feira (6), durante o Acampamento Terra Livre, em Brasília. O equipamento foi desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia em parceria com a Universidade Federal do Pará.
Segundo os pesquisadores, a tecnologia busca ampliar o monitoramento da qualidade do ar no país, especialmente em regiões que ainda não contam com cobertura adequada, como áreas rurais, unidades de conservação e territórios indígenas.
Monitoramento ainda é limitado
Dados do Ministério do Meio Ambiente apontam que o Brasil possui cerca de 570 estações de monitoramento da qualidade do ar, mas apenas 12 estão localizadas em Terras Indígenas.
A proposta do novo sensor é justamente ampliar esse alcance, permitindo medições mais completas conforme previsto na Política Nacional de Qualidade do Ar.
Rede de monitoramento na Amazônia
O primeiro lote com 60 sensores será distribuído por meio da rede Conexão Povos da Floresta, que reúne organizações como a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas e o Conselho Nacional de Saúde.
A iniciativa prevê a criação da chamada RedeAr, com início previsto para setembro, que irá monitorar poluição, umidade e temperatura em áreas da Amazônia Legal. A meta é alcançar cerca de 200 sensores instalados até o fim do ano.
Tecnologia adaptada à realidade amazônica
Diferente de equipamentos importados, o sensor nacional foi desenvolvido considerando as condições da Amazônia, com proteção contra insetos, poeira e outros fatores ambientais que costumam comprometer o funcionamento dos aparelhos.
Além disso, o equipamento consegue armazenar dados mesmo sem conexão com a internet e permite integração com outros sistemas de monitoramento.
Impactos na saúde e no meio ambiente
Estudos apontam que, em 2024, regiões da Amazônia enfrentaram até 138 dias com ar considerado nocivo à saúde, em decorrência de eventos extremos como secas e queimadas.
Com a ampliação da rede de monitoramento, a expectativa é fortalecer políticas públicas, programas de educação ambiental e ações de prevenção a queimadas, além de melhorar o acompanhamento de doenças respiratórias em populações vulneráveis.
O equipamento ficará exposto durante a programação do evento, que segue até o dia 11 de abril na capital federal.



