O velho e os candidatos…



Os políticos estão alvoroçados. Já começou a temporada de xingamentos que vai estender-se até outubro. Talvez seja a única época em que eles falam a verdade. Não sobre si mesmos, claro, mas sobre os concorrentes.

No meio político há mais pessoas mal-intencionadas, ou, percentualmente, se iguala ao número geral da sociedade?

 
Também são abundantes os discursos dos que estão deixando os cargos atuais para disputar outras vagas. E eles são enfadonhos, repetitivos e cheios de clichês. Todos relatam a sensação de dever cumprido. Externam uma profunda gratidão ao povo, à família, a Deus.
 
Falam sobre os desafios, sobre os momentos de angústia, sobre a carga de trabalho. Invariavelmente exaltam as próprias virtudes, entre elas a humildade e a honestidade. No fim, todos tiveram um mandato exitoso: se são parlamentares, deixaram tais e tais contribuições. Se executivos, entregam as Prefeituras, Estados
ou União muito melhores do que os encontraram.
 
Garantem que nenhuma vaidade os move e que não têm qualquer apego ao poder. E que saem com a cabeça erguida. São tão recorrentes os discursos que, com poucas modificações, o texto lido por um prefeito do interior do Piauí serve para um governador de Santa Catarina. Até mais: o discurso feito por um governador do Amazonas em 1960 é quase igual ao de um prefeito do Rio de Janeiro em 2026, trocando-se somente algumas poucas
palavras que saíram de moda por outras mais atuais.
 
Temos que suportar isto, porque a política é…



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