Novo planeta descoberto pela Nasa muda teorias sobre formação de mundos


Um planeta gigante localizado fora do Sistema Solar desafia as teorias atuais sobre a formação de mundos. Observações feitas pelo telescópio espacial James Webb indicam que o exoplaneta TOI-5205 b tem uma atmosfera com características inesperadas, levantando novas questões sobre como planetas desse tipo surgem.

O estudo foi publicado na revista The Astronomical Journal e conduzido por uma equipe internacional liderada por Caleb Cañas, do Goddard Space Flight Center da Nasa, a agência espacial norte-americana. TOI-5205 b é um gigante gasoso semelhante a Júpiter. Ele orbita uma estrela anã vermelha, que tem cerca de 40% da massa do Sol e é significativamente menor e mais fria.

Esse tipo de sistema é considerado incomum. De acordo com os modelos atuais, estrelas pequenas não deveriam ter material suficiente em seus discos de gás e poeira para formar planetas tão grandes. Por isso, esses mundos são chamados de GEMS, sigla em inglês para “exoplanetas gigantes ao redor de estrelas anãs M”.

Principais descobertas

As observações revelaram que a atmosfera de TOI-5205 b tem uma quantidade surpreendentemente baixa de elementos pesados, como carbono e oxigênio, em comparação com sua estrela hospedeira.

O resultado chamou atenção porque é diferente do que se observa em planetas gigantes do Sistema Solar, como Júpiter. Além disso, foram detectados metano e sulfeto de hidrogênio na atmosfera do planeta. Por outro lado, não houve detecção clara de vapor de água.

Os cientistas também identificaram uma diferença importante entre a composição da atmosfera e do interior do planeta. Modelos indicam que o interior pode ser até 100 vezes mais rico em elementos pesados do que a atmosfera. Isso sugere que esses elementos podem ter afundado para o núcleo durante a formação, sem se misturar com as camadas externas.

A equipe utilizou o telescópio James Webb para observar três trânsitos do planeta. Esse fenômeno ocorre quando o planeta passa na frente da estrela, bloqueando parte da luz. Durante o trânsito, instrumentos chamados espectrógrafos analisam a luz da estrela que atravessa a atmosfera do planeta. Isso permite identificar os elementos químicos presentes.

No entanto, a análise foi dificultada pela própria estrela. A TOI-5205 é altamente ativa e tem manchas escuras e regiões brilhantes que interferem nos dados. Os cientistas precisaram desenvolver métodos para corrigir essa “contaminação”, comparada a observar o universo através de um vidro sujo.

O que isso significa

Os resultados indicam que TOI-5205 b pode ter se formado de maneira diferente do esperado. A baixa quantidade de elementos pesados na atmosfera, combinada com um interior rico nesses materiais, sugere que o planeta não está completamente misturado. Isso pode indicar que, durante sua formação, os elementos mais densos migraram para o núcleo.

Esse comportamento ajuda a entender melhor não apenas esse exoplaneta, mas também a formação de gigantes gasosos em geral. Além disso, o fato de um planeta tão grande existir ao redor de uma estrela pequena sugere que os modelos atuais de formação planetária podem precisar de revisão.

*Fonte: Correio Braziliense



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