Estudo indica que menopausa cria ambiente mais favorável ao câncer de mama



As mudanças provocadas pela menopausa no organismo feminino podem tornar o tecido mamário mais propício ao desenvolvimento de células cancerígenas. É o que aponta um estudo divulgado na revista Nature Aging, que detalha como o envelhecimento e a queda do estrogênio influenciam esse processo.

De acordo com a pesquisa, cerca de 80% das mulheres diagnosticadas com Câncer de Mama têm mais de 50 anos, fase em que a menopausa já ocorreu ou está em curso. O estudo buscou compreender, em nível celular, por que o risco da doença aumenta com a idade.

A investigação foi conduzida por cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá. Os pesquisadores analisaram mais de três milhões de células do tecido mamário, a partir de mamografias e biópsias de mais de 500 mulheres com idades entre 15 e 86 anos.

Os resultados mostram que, com o envelhecimento, ocorre uma redução na quantidade e na atividade das células mamárias. Estruturas responsáveis pela produção de leite, chamadas lóbulos, diminuem ou desaparecem, enquanto as células de gordura aumentam e os vasos sanguíneos se tornam menos numerosos.

Além disso, o sistema imunológico da mama também sofre alterações. Em mulheres mais jovens, há maior presença de células de defesa, como as células B e T, que ajudam a identificar e eliminar células anormais. Com o avanço da idade, essas células diminuem, dando lugar a um ambiente mais inflamatório e menos eficiente na proteção contra mutações.

Segundo o pesquisador Pulkit Gupta, da Universidade de Cambridge, essas mudanças ajudam a explicar por que o risco de câncer de mama aumenta com a idade e por que os tumores em mulheres mais jovens apresentam características diferentes.

Já Samuel Aparicio, da Universidade da Colúmbia Britânica, destacou que o impacto das alterações hormonais não se limita às células responsáveis pela produção de leite, mas afeta todos os tipos celulares do tecido mamário, incluindo as células do sistema imunológico.

O estudo reforça a importância do acompanhamento médico regular, especialmente após os 50 anos, com exames como a mamografia, fundamentais para o diagnóstico precoce da doença.

O câncer de mama é o tipo mais comum entre mulheres no mundo e representa cerca de um em cada quatro casos de câncer diagnosticados anualmente, segundo dados da Liga Portuguesa Contra o Cancro.



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