Ao preparar e ministrar a aula de “Introdução à Ética no Agronegócio” para meus estudantes de Zootecnia na UFMT, retomei uma convicção que já me acompanha, reforçada pela minha vivência internacional: o futuro do agro não será decidido apenas pela produtividade, mas pelas decisões éticas, individuais e coletivas, tomadas quando ninguém está olhando.
O agronegócio brasileiro acostumou-se a competir com base em eficiência: produzir mais, melhor e, muitas vezes, mais barato. Esse foi e continua sendo um dos pilares da nossa competitividade global.
Mas há uma mudança silenciosa em curso. E ela não está da porteira para dentro. O mundo já não compra apenas produtividade. Compra confiança.
Grande parte do que sustenta o agro moderno é invisível. O consumidor não vê como o animal foi tratado, não acompanha o manejo no campo, não conhece os detalhes do processo produtivo. Ainda assim, ele consome. Ele confia, ou melhor, precisa confiar. E essa confiança é o verdadeiro ativo que sustenta, cada vez mais, as cadeias agroalimentares globais.
O problema é que confiança não se constrói apenas com conformidade legal. A lei responde à pergunta: “isso é permitido?”. O mercado internacional, cada vez mais, responde a outra: “isso é aceitável?”. E a ética, por sua vez, exige uma terceira reflexão: “isso é correto?”.
É nesse deslocamento do…
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