Eliziane Gama deixa o PSD e se filia ao PT


A senadora Eliziane Gama oficializou nesta quinta-feira (2) sua saída do PSD, em um movimento que expõe com mais nitidez a antecipação da disputa presidencial de 2026 e seus reflexos diretos nas articulações estaduais. A decisão foi tomada após o partido sinalizar apoio à pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, nome associado a um campo político de centro-direita. 

Em comunicado, a parlamentar afirmou que a legenda passou a trilhar um caminho de “pensamento diferente”, tornando inviável sua permanência diante do alinhamento consolidado ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar da ruptura, Eliziane manteve tom diplomático ao se referir ao presidente da sigla, Gilberto Kassab, destacando que a saída ocorre por “projetos nacionais distintos”. 

Logo após o desligamento, a senadora oficializou sua filiação ao PT, movimento que, segundo ela, garante maior sintonia com o projeto político nacional ao qual está vinculada, especialmente após sua atuação como relatora da CPMI do 8 de Janeiro. A mudança de partido ocorre no contexto da janela partidária e tem como foco central a disputa pela reeleição ao Senado pelo Maranhão em 2026.

A filiação a uma legenda diretamente ligada ao Palácio do Planalto reforça sua intenção de se apresentar como candidata oficial do lulismo no estado na disputa pelo Senado em 2026, quando duas vagas estarão em jogo. Nesse cenário, o movimento amplia seu acesso à estrutura partidária, ao tempo de televisão e, sobretudo, ao capital político do presidente da República, elemento considerado decisivo em disputas majoritárias no Nordeste. Ao ingressar no PT, Eliziane busca eliminar ambiguidades e consolidar um discurso coerente com sua atuação recente no Congresso, marcada pela defesa do governo federal e por pautas progressistas.

Nos bastidores, o movimento também é interpretado como uma resposta a desafios eleitorais concretos. Analistas apontam que a senadora enfrenta resistência em segmentos do eleitorado, especialmente entre grupos evangélicos, onde sua imagem teria sofrido desgaste em função do alinhamento à esquerda.

A decisão da senadora também encerra especulações sobre outros destinos partidários, como o PSB, que chegou a ser considerado nas negociações. A escolha pelo PT, segundo interlocutores, foi definida pela maior “sinergia programática” e pela garantia de apoio direto da direção nacional. Ou seja, ao migrar para o PT, Eliziane deixa de ser apenas uma aliada externa do governo e passa a atuar “de dentro” do partido que comanda o Executivo federal, aumentando suas chances de viabilizar uma candidatura competitiva em 2026.

Janela partidária impacta PDT no Maranhão

Com o fim do prazo da janela partidária neste sábado (4), lideranças políticas buscam reposicionamento, alinhamento ideológico e maior competitividade eleitoral. Mais do que uma formalidade do calendário político, a janela se transforma, na prática, em um termômetro das alianças em construção e das fragilidades partidárias que emergem às vésperas de um pleito decisivo. Foi nesse contexto que o deputado federal Márcio Honaiser, conhecido como “Macionais”,  anunciou  nesta quinta-feira (2) pelas redes sociais a sua saída do PDT. 

O movimento evidencia a perda de densidade política de uma legenda que, por décadas, ocupou espaço central nas articulações nacionais, e expõe fragilidades na base de sustentação do senador Weverton Rocha. No caso de Honaiser, a desfiliação, embora tratada como amigável após 37 anos de militância pedetista, carrega forte simbolismo político e eleitoral.

O convite da cúpula do PT para compor uma chapa majoritária em 2026 reposiciona o parlamentar em um novo eixo de poder. Sua eventual filiação — ainda não oficializada — não representa apenas uma mudança individual, mas a transferência de um ativo político estratégico: sua base consolidada em Balsas e em todo o Sul do Maranhão, região com forte peso econômico ancorado no agronegócio. Esse movimento amplia a presença do PT em áreas onde historicamente enfrenta maior resistência e reforça a tentativa de interiorização do projeto político ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além disso, a decisão de Honaiser dialoga diretamente com uma conjuntura regional de disputa por liderança. O rompimento com o ex-prefeito de Balsas, Dr. Erik, e a entrada deste na corrida por uma vaga na Câmara Federal criaram um ambiente de competição direta que exige reorganização de alianças e redefinição de estratégias. 

Outra baixa sentida na legenda foi a saída do deputado estadual, Osmar Filho, que por sua vez, embora com motivações distintas, reforça o mesmo vetor de enfraquecimento do PDT. Ao se filiar ao Podemos durante a janela partidária, Osmar Filho, sinaliza uma migração pragmática em direção ao grupo político liderado pelo governador Carlos Brandão (sem partido). Sua importância no tabuleiro político vai além do mandato parlamentar: como ex-presidente da Câmara Municipal de São Luís e então presidente municipal do PDT, Osmar controlava uma estrutura estratégica na capital. Sua saída implica a perda de influência direta do partido em São Luís, reduto eleitoral decisivo, além de reduzir sua presença qualificada na Assembleia Legislativa, onde ocupa funções de destaque como a 3ª Secretaria da Mesa Diretora e a Ouvidoria.

O impacto conjunto dessas movimentações revela um redesenho mais amplo das forças políticas no Maranhão. O PT tende a ampliar sua capilaridade no interior com a possível chegada de Honaiser, enquanto o Podemos fortalece sua bancada e sua inserção institucional. Ambos os movimentos convergem para o fortalecimento do campo governista, orbitando em torno do Palácio dos Leões e consolidando uma base mais coesa para 2026. Em contrapartida, o PDT perde não apenas nomes, mas capacidade de articulação territorial e  densidade política, elementos fundamentais em disputas majoritárias. Para Weverton Rocha, o cenário é particularmente desafiador. A perda de dois aliados estratégicos compromete sua capilaridade política: Honaiser representava a principal ponte do grupo no Sul do estado, enquanto Osmar Filho exercia papel central na articulação em São Luís, passando agora a contar somente como o apoio do vereador Raimundo Penha, que também vislumbra concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa. Ou seja, o esvaziamento do partido ocorre em um momento sensível, em que o senador busca viabilizar seu projeto de reeleição ao Senado em meio a um ambiente competitivo e fragmentado.

Além disso, o contexto político amplia a pressão sobre sua candidatura. Investigações recentes envolvendo seu nome e o desgaste da estratégia de “terceira via” após as eleições de 2022 fragilizam sua posição. Ao mesmo tempo, o avanço de adversários como: Roseana Sarney (MDB), André Fufuca (PP), Eliziane Gama (PT) ou o governador Carlos Brandão (sem partido, caso decida se desincompatibilizar, torna a disputa ainda mais acirrada, com risco real de o pedetista ficar fora das duas vagas disponíveis em 2026.

Diante desse cenário, a debandada de quadros sinaliza ao ambiente político uma perda de força do grupo liderado por Weverton Rocha, ao mesmo tempo em que reforça a consolidação de um bloco governista mais coeso. O PDT, por sua vez, entra em um momento de reconstrução no Maranhão, com o desafio de recompor lideranças e recuperar protagonismo antes do início oficial da corrida eleitoral.



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