Oxfam estima em US$ 3,55 trilhões a riqueza escondida em paraísos fiscais


Uma análise da organização Oxfam, publicada nesta sexta-feira, 3 de abril, revela que a riqueza não tributada escondida em paraísos fiscais pelo 0,1% mais rico da humanidade ultrapassa o patrimônio somado de 4,1 bilhões de pessoas — a metade mais pobre da população global. O levantamento, realizado no contexto dos dez anos do escândalo Panama Papers, estima que US$ 3,55 trilhões em ativos foram mantidos em contas não declaradas e estruturas offshore em 2024. Esse montante é superior ao Produto Interno Bruto (PIB) da França e mais que o dobro do PIB combinado dos 44 países menos desenvolvidos do mundo.

De acordo com a organização, os super-ricos detêm cerca de 80% dessa fortuna offshore, o equivalente a US$ 2,84 trilhões. O uso de empresas em paraísos fiscais dificulta o rastreamento dos verdadeiros proprietários e permite a evasão de impostos em larga escala. Christian Hallum, coordenador de tributação da Oxfam Internacional, destaca que essa prática cria um sistema de impunidade onde os bilionários se colocam acima das obrigações sociais, privando hospitais e escolas públicas de recursos essenciais enquanto a desigualdade cresce globalmente.

A investigação que deu origem aos Panama Papers, conduzida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), expôs há uma década a indústria das offshores. Apesar de alguns avanços na troca automática de informações entre países, a riqueza oculta permanece em níveis persistentes, representando aproximadamente 3,2% do PIB global. A Oxfam ressalta que esse progresso é desigual, uma vez que a maioria dos países do Sul Global ainda está excluída dos sistemas internacionais de fiscalização financeira.

No Brasil, a diretora executiva da Oxfam, Viviana Santiago, defende que a justiça fiscal depende obrigatoriamente da tributação das grandes fortunas. Segundo ela, a arquitetura global atual protege o topo da pirâmide econômica, enquanto a base da população arca com uma carga tributária proporcionalmente maior. A organização reforça a necessidade de uma ação internacional coordenada para acabar com os paraísos fiscais e garantir que a riqueza extrema contribua para o financiamento de serviços públicos e a redução da pobreza.

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