A eleição de outubro e os desafios para seus atores


Por enquanto a cadeira principal do Palácio dos Leões tem quatro concorrentes declarados: Orleans Brandão (MDB), Eduardo Braide (PSD), ambos de perfil ideológico de centro-direita; Lahesio Bonfim (Novo), de direita; e Enilton Rodrigues (PSOL), de esquerda, cuja legenda de esquerda, é alinhada com o PT e federalizada com a Rede Sustentabilidade desde 2022. A pré-candidatura mais emblemática das quatro é de Eduardo Braide que levou todo o ano de 2025 e o começou de 2026 aparecendo nas pesquisas para o governo do Maranhão, mas só no dia 31 de março ele decidiu anunciar a candidatura, renunciar ao mandato e passar o cargo à vice-prefeita Ismênia Miranda – tudo numa manhã só.

No comunicado que fez em na rede  social no Instagram, Braide ignorou a candidatura do PSD à Presidência da República, do governador de Goiás Ronaldo Caiado,  que renunciou no mesmo dia 31, não falou do grupo dinista que vem procurado tomar posição a seu lado, contra o candidato do MDB Orleans Brandão, mas aproveitou para dar mandar recado ao opositor. “Nós não temos a máquina. Nós não temos o dinheiro. Mas temos algo muito maior: a força do povo. Foi essa força que transformou São Luís e será ela que vai transformar o Maranhão”. Ele sabe que o emedebista sobrinho do governador Carlos Brandão conta com imensa estrutura de poder estadual, federal e municipal no interior.

No dia 14/03, quando oficializou sua pré-candidatura ao governo, Orleans reuniu uma multidão pouco vista em evento de natureza política nesses tempos de campanhas políticas fora da praça e dentro das redes sociais. Sua imagem foi usada em todo o espaço do encontro, entre o governador Brandão e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PT do vice-governador Felipe Camarão não disse nada contra ou a favor. Metido numa encruzilhada como outras tantas que já enfrentou no Maranhão, o PT tem motivo para repetir a crise de 2010, quando recusou coligar com o PCdoB de Flávio Dino e acabou em intervenção para se juntar ao MDB de Roseana Sarney, que colocou o petista Washington Oliveira na vice e ganhou sua última eleição do Palácio dos Leões.

Até agora o Maranhão tem quatro pré-candidatos a governador num pleito dos mais difíceis dentro dos partidos encrencados perante um eleitorado de pouca nitidez ideológica. A máquina governamental historicamente acaba tendo a maior força de “convencimento” na hora do voto. Exceto em 2014, quando Flávio Dino rompeu o ciclo sarneísta sem qualquer apoio oficial do Palácio dos Leões, nas demais eleições a relevância maior tem sido procedente de quem está à frente do governo. Em 2026, a história aparece com outra faceta da política. É a primeira vez que o governador no exercício do cargo vai tentar eleger o sucessor, contra o ex-prefeito da capital.

Não é à toa que os dois principais nomes que se revezam na liderança das pesquisas têm as máquinas operando na retaguarda. Eduardo Braide passou o comando da prefeitura da maior cidade do Maranhão à vice Ismênia Miranda, que vai continuar realizando o pacote de obras anunciadas em março por ele, com investimentos de R$ 1,6 bilhão. As realizações da capital têm sido o cartão de visita a impulsionar o nome de Braide para o restante do Maranhão. Já Orleans está à frente de um vasto programa de realizações governamentais pelas regiões do Estado. Portanto, a disputa prenuncia o roteiro de um segundo turno eletrizante, desenhado pela coragem de Carlos Brandão ficar no cargo e a de Braide, deixar o seu.

Por coincidência, Orleans e Braide são primos em segundo grau, o que torna a corrida política mais ainda fora do script tradicional. O ex-prefeito é do PSD, partido que tem o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado candidato presidencial, mas dando apoio ao presidente Lula em pelo menos 14 estados. Já o MDB de Orleans ainda troca figurinha com o Planalto para decidir o que fazer. No Maranhão há uma encrenca irresoluta com uma banda do PT no governo Brandão e a outra, de menor volume, puxada por Felipe Camarão rumo ao Palanque de Eduardo Braide.



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