Manaus – Joyce e Bruno, os pais do menino Benício Xavier de Freitas, 6, morto em Manaus no dia 23 de novembro de 2025 após receber doses de adrenalina na veia no Hospital Santa Júlia, fazem uma súplica às autoridades do Amazonas para que o laudo de necropsia seja finalmente entregue pelo Instituto Médico Legal (IML), e que a Polícia Civil conclua as investigações. Após mais de quatro meses do óbito, o caso ainda não foi apreciado pelo Ministério Público e, consequentemente, não chegou à Justiça.

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Na manhã desta quinta-feira (2), os pais de Benício e os advogados da família realizaram uma coletiva de imprensa para esclarecer fatos e pedir mais rapidez nas investigações. Na semana passada, a Polícia Civil pediu mais 45 dias para finalizar o inquérito policial, mas a demora aumenta ainda mais a dor da família.
“Foram os piores Natal e Réveillon das nossas vidas. A gente não tinha o que festejar. Eram fogos de artifício do lado de fora e a gente em casa, no quarto, um abraçando o outro e chorando”, relembrou Bruno Freitas.
A passagem do tempo sem uma solução torna o luto ainda mais doloroso. “São quatro meses que a gente está buscando justiça, todos os dias. Por trás desse inquérito policial, tem uma família que chora, que sofre, que não consegue mais viver em paz porque sente falta do seu filho”, lamentou Bruno.
Benício, 6, morreu na madrugada de 23 de novembro de 2025 após receber adrenalina na veia administrada pela técnica de enfermagem Raiza Bentes e prescrita pela médica Juliana Brasil. Ele havia sido levado ao Hospital Santa Júlia pelos pais com sintomas de tosse e inflamação na garganta. Por cerca de 14 horas, sucessivos erros médicos são apontados como possíveis fatores para o óbito da criança, que ocorreu após várias paradas cardíacas.
Laudo indireto e embalsamento
A demora de um laudo conclusivo pelo IML e do inquérito também impedem o direito à defesa pela família de Benício. Os advogados Paulo Feitoza, Ricardo Albuquerque e Nil Ferreira rebateram o vazamento de informações não oficiais sobre o caso e reforçaram que só podem ter acesso ao processo (laudo, perícia e depoimentos) após a chegada da denúncia à Justiça.
Segundo o advogado Paulo Feitoza, o laudo necroscópico em atraso no IML é uma perícia indireta, isto é, feita por médicos legistas com base na análise dos procedimentos médicos dentro do hospital, como prontuários, receita de medicação, entubação, etc. Como o corpo de Benício foi embalsamado antes de passar no Instituto Médico Legal, a perícia tradicionalmente realizada foi prejudicada.
“É uma perícia indireta porque quando houve o falecimento da criança, o hospital não teve o zelo e o cuidado, diante de uma morte suspeita, atípica, de enviar o corpo para o IML. Pelo contrário, preferiram somente informar aos pais da morte, que procederam com o embalsamento. Por isso, não pôde-se fazer um laudo necroscópico conclusivo, em decorrência do formol. E este laudo indireto é que causa uma demora ainda maior, mas que é primordial para o inquérito”, afirmaram os advogados Paulo Feitoza e Ricardo Albuquerque.
Campanha de desinformação
Nas últimas semanas, o vazamento de informações não oficiais sobre o laudo do IML e as investigações tem até atrapalhado a condução do caso, com intuito de influenciar a opinião pública: tentativa de fraude processual, adulteração de vídeo apresentado como prova, além de criação de factoides com objetivo de desviar a atenção sobre a conduta da médica Juliana Brasil e do Hospital Santa Júlia.
Em meio a dúvidas e a um luto sem fim, Joyce e Bruno pedem por justiça e que os responsáveis pela morte do menino Benício sejam denunciados e punidos.
“É uma dor que não passa, uma ferida que não fecha. Não queremos que o caso do Benício passe na frente de outros, só queremos o direito à justiça, que os culpados sejam penalizados e o nosso luto seja menos doloroso para honrarmos a vida do nosso filho”, finalizou Joyce Xavier, mãe de Benício.