Publicado em: 2 de abril de 2026

Após acidentes, reclamações e novas normas, veículos passaram por ajustes e modernizações quanto a segurança, redução de emissões e acessibilidade
ADAMO BAZANI
Colaborou Arthur Ferrari
O novo edital do Caminho da Escola, relançado em 01º de abril de 2026, traz as atualizações tecnológicas, de configuração e de segurança dos 13 modelos que somam 7.470 unidades e o Diário do Transporte, de forma exclusiva, neste dia 02 de abril de 2026, destaca algumas das principais características que representam avanços em relação aos modelos que eram previstos no ciclo de compras iniciado em 2023. (AO LONGO DA REPORTAGEM, VEJA A TABELA NA ÍNTEGRA)
No ciclo anterior, por exemplo, o diferencial traseiro tinha dispositivo de bloqueio com acionamento automático. Agora, vai precisar apesentar dispositivo de bloqueio e/ou Sistema Eletrônico de Controle de Tração Automático (acionamento automático).
No edital de 2023, não havia exigência de assistências obrigatórias. Agora, a nova proposta inclui Controle de Estabilidade e Assistência de Partida em Rampa.
O painel traseiro também mudou. De área envidraçada terá agora de ser totalmente fechado, com compartimento de acesso externo.
Não havia previsão de reforços estruturais nas saias (parte inferior da carroceria). Agora, são obrigatórios reforços metálicos na parte dianteira.
Os protetores de Arla 32 (um líquido injetado na queima do diesel para reduzir a poluição), no ciclo de 2023 tinham de ser metálicos. Agora, a exigência está mais rigorosa, a exemplo do sistema de escape, que precisará ter escapamento inclinado para baixo (20° a 25°), acima da linha da passa-balsa.
Em primeira-mão, o Diário do Transporte mostrou que o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), após suspensões e anulações de editais que se arrastam desde 2025, relançou a licitação que deve habilitar montadoras e encarroçadoras para a compra de 7.470 ônibus escolares pelo Programa Caminho da Escola. A entrega das propostas para os 13 modelos desta frota total foi remarcada (se não houver novo entrave) para 14 de abril de 2026.
Relembre:
Além de ser esperada por estudantes, pais, prefeitos e governadores, a licitação é muito aguardada pela indústria. O Caminho da Escola representa 30% do volume de produção de ônibus no Brasil.
Apesar de o principal motivo para os adiantamentos e suspensão da licitação foi a entrada de novas regras tributárias sobre os veículos, pesou também para a nova decisão a questão de segurança, cujo debate foi ampliado, principalmente depois uma tragédia com a morte de uma estudante no Ceará foi levada em conta para a mudança, conforte apurou o editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani.
A menina Maria Isabella Rodrigues, de apenas 10 anos, morreu em 05 de fevereiro de 2026, na cidade de Nova Russas, a cerca de 300 quilômetros de Fortaleza, após cair do ônibus escolar do Caminho da Escola que a levava para casa.
A porta do veículo se abriu “sozinha” em movimento.
As causas estão sendo apuradas e a hipótese mais provável é falha na manutenção. Mas diante do fato, fontes ligadas ao Ministério da Educação, disseram ao Diário do Transporte, que itens de redundância para reforço de segurança foram considerados.
MODELOS MAIS SEGUROS, MAS NÃO LIVRES DE EMISSÕES:
Os ônibus escolares nos Estados Unidos são sinônimos de segurança, força e até um símbolo de orgulho do País. Muito comuns de aparecerem em filmes e até produções de Hollywood, os amarelões com cara de caminhão (devido ao cofre do motor avançado para o lado de fora), são tão robustos que, de acordo com reportagens de mídia norte-americana, já foram feitos bunkers e abrigos de ataques antiaéreos com as carrocerias destes ônibus. A sinalização destes veículos é especial e há até regras nas leis de trânsito norte-americanas sobre respeito e prioridade a estes ônibus que devem ser seguidas por motoristas de outros veículos. Apesar de o presidente Donald Trump ter bloqueado verbas para modelos elétricos, os escolares nos EUA entraram para a era dos veículos de emissão zero.
E no Brasil? O transporte escolar é, de uma forma geral, extremamente precário, com ônibus velhos, mal conservados e operações clandestinas. Mas a situação melhorou muito com a adoção, em 2007, do Programa Caminho da Escola, pelo qual, o Governo Federal compra e financia aos Estados e municípios os ônibus escolares. Foram desenhados juntamente com as fabricantes de chassis e carrocerias os padrões com uniformização técnica, sendo atualizados a cada ciclo de licitação.
Atualmente, os veículos estão mais acessíveis e, seguindo as normas Euro 6 para motores a diesel, estão menos poluentes, mas ainda não livre de emissões como nos EUA.
Em parte pela falta de infraestrutura de recarga para baterias nas cidades, pelas condições severas de tráfego e por haver ainda pouca oferta no mercado nacional de ônibus elétricos com padrão escolar: a única fabricante a de fato apresentar um modelo indicado como escolar foi a nacional Eletra, de São Bernardo do Campo (SP), em parceria com a Caio e Mercedes-Benz.
MODELOS E QUANTIDADES
1 ORE 1 Mecânica - 1.700
2 ORE 2 Mecânica - 2.000
3 ORE 3 Mecânica - 2.100
4 ORE 0 4X4 Mecânica - 260
5 ORE 1 4X4 Mecânica - 380
6 ONUREA PA Mecânica - 400
7 ONUREA PB Mecânica – 200
8 ORE 1 Automática - 130
9 ORE 2 Automática -120
10 ORE 3 Automática - 120
11 ORE 1 4X4 Automática – 20
12 ONUREA PA Automática - unidade 20
13 ONUREA PB Automática - 20
TOTAL – 7.470 ÔNIBUS
Tipos de Ônibus (ORE e ONUREA):
- ORE 0 (4×4): Capacidade para 13 estudantes.
- ORE 1: Capacidade para 29 estudantes.
- ORE 1 (4×4): Capacidade para 23 ou 29 estudantes.
- ORE 2: Capacidade para 44 estudantes, com bloqueio de diferencial.
- ORE 3: Capacidade para 59 ou 60 estudantes.
- ONUREA Piso Alto: Capacidade para 29 estudantes.
- ONUREA Piso Baixo: Capacidade para 21 ou 29 estudantes (com acessibilidade).










VEJA HISTÓRICO:
Após dois entraves, a bilionária concorrência foi remarcada para 23 de fevereiro de 2026.
A primeira tentativa de licitação foi suspensa em 17 de dezembro de 2025 para esclarecimentos sobre o edital, depois revogada para ajustes de acordo com novas regras fiscais .
Em 03 de fevereiro de 2026, notícia dada em primeira-mão pelo Diário do Transporte, revelou que o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), do Governo Federal, revogou a licitação para a compra de cerca de 7,5 mil ônibus escolares por meio do Programa Caminho da Escola. O motivo foi justamente a Nova lei alterou isenções, exigindo nova pesquisa e relançamento
Relembre:
As dúvidas tributárias persistem.
A questão da reforma tributária preocupa porque se a fabricante ganha neste ano de 2026, e o pregão tem validade de um ano, ainda haverá ônibus para fornecer no próximo ano de 2027 pelo mesmo preço de 2026. Mas em 2027 entram os novos efeitos da reforma tributária com o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que vai substituir o ICMS e o ISS, adotando o modelo de IVA (Imposto sobre Valor Agregado). Também entra em 2027 a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) que também vai ser como um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) para substituir PIS, Cofins e parte do IPI.
Não há certezas dos impactos nos preços dos ônibus.
Além disso, os ônibus escolares tinham isenção de impostos desde 2007. Agora passam a ser tributados.
Uma cláusula no edital do Caminho da Escola para proteger os fornecedores desta variação poderia deixar o mercado mais seguro. Ou seja, as regras deveriam ser mantidas pelo momento do resultado do pregão e não da entrega dos ônibus.
Mas pesou mesmo para a nova decisão, uma tragédia com a morte de uma estudante no Ceará foi levada em conta para a mudança, conforte apurou o editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani.
A menina Maria Isabella Rodrigues, de apenas 10 anos, morreu em 05 de fevereiro de 2026, na cidade de Nova Russas, a cerca de 300 quilômetros de Fortaleza, após cair do ônibus escolar do Caminho da Escola que a levava para casa.
A porta do veículo se abriu “sozinha” em movimento.
As causas estão sendo apuradas e a hipótese mais provável é falha na manutenção. Mas diante do fato, fontes ligadas ao Ministério da Educação, disseram ao Diário do Transporte, que itens de redundância para reforço de segurança foram considerados.
A quantidade de veículos e modelos não mudam.
REABERTURA:

Uma das notícias mais aguardadas da indústria de veículos pesados finalmente saiu numa quarta-feira, 1º de abril de 2026, e em seu papel de hardnews, com cobertura do jornalismo factual, o Diário do Transporte trouxe em primeira-mão:
Foi marcada a data para o prosseguimento da licitação para habilitar montadoras e encarroçadoras a produzir e comercializar 7.470 ônibus escolares pelo “Programa Caminho da Escola”, do Governo Federal. A abertura das propostas foi, desta vez, depois de adiamentos e suspensões, agendada para 14 de abril de 2026.
Na terça-feira, 31 de março de 2026, o editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, já havia noticiado, também de forma exclusiva, o aviso de reabertura do processo licitatório.
O FNDE (Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação), do Ministério da Educação, responsável pela concorrência, havia comunicado o “Evento de Reabertura com publicação prevista para 01/04/2026. Motivo: Saneamento dos artefatos da licitação”.
Saneamento de artefatos (documentos e propostas) em licitações é um instrumento previsto na chamada Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021), que possibilita a correção de erros ou falhas formais que não alterem propostas, os documentos de habilitação ou o teor geral dos editais.
O relançamento da concorrência é aguardado ansiosamente por prefeituras e governos estaduais, que podem se habilitar para as compras, mas também pela indústria automotiva e de autopeças.
O “Caminho da Escola” chega a representar cerca de 30% de toda a produção de ônibus do Brasil, impactando até mesmo nas ações de fabricantes de capital aberto e que negociam em Bolsa de Valores, como a Marcopolo.


ATUALIZAÇÕES TÉCNICAS:
O novo edital do Caminho da Escola, relançado em 01º de abril de 2026, traz as atualizações tecnológicas, de configuração e de segurança dos 13 modelos que somam 7.470 unidades e o Diário do Transporte, de forma exclusiva, neste dia 02 de abril de 2026, destaca algumas das principais características que representam avanços em relação aos modelos que eram previstos no ciclo de compras iniciado em 2023. (AO LONGO DA REPORTAGEM, VEJA A TABELA NA ÍNTEGRA)
No ciclo anterior, por exemplo, o diferencial traseiro tinha dispositivo de bloqueio com acionamento automático. Agora, vai precisar apesentar dispositivo de bloqueio e/ou Sistema Eletrônico de Controle de Tração Automático (acionamento automático).
No edital de 2023, não havia exigência de assistências obrigatórias. Agora, a nova proposta inclui Controle de Estabilidade e Assistência de Partida em Rampa.
O painel traseiro também mudou. De área envidraçada terá agora de ser totalmente fechado, com compartimento de acesso externo.
Não havia previsão de reforços estruturais nas saias (parte inferior da carroceria). Agora, são obrigatórios reforços metálicos na parte dianteira.
Os protetores de Arla 32 (um líquido injetado na queima do diesel para reduzir a poluição), no ciclo de 2023 tinham de ser metálicos. Agora, a exigência está mais rigorosa, a exemplo do sistema de escape, que precisará ter escapamento inclinado para baixo (20° a 25°), acima da linha da passa-balsa.
Em primeira-mão, o Diário do Transporte mostrou que o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), após suspensões e anulações de editais que se arrastam desde 2025, relançou a licitação que deve habilitar montadoras e encarroçadoras para a compra de 7.470 ônibus escolares pelo Programa Caminho da Escola. A entrega das propostas para os 13 modelos desta frota total foi remarcada (se não houver novo entrave) para 14 de abril de 2026.
Relembre:
Além de ser esperada por estudantes, pais, prefeitos e governadores, a licitação é muito aguardada pela indústria. O Caminho da Escola representa 30% do volume de produção de ônibus no Brasil.
Apesar de o principal motivo para os adiantamentos e suspensão da licitação foi a entrada de novas regras tributárias sobre os veículos, pesou também para a nova decisão a questão de segurança, cujo debate foi ampliado, principalmente depois uma tragédia com a morte de uma estudante no Ceará foi levada em conta para a mudança, conforte apurou o editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani.
A menina Maria Isabella Rodrigues, de apenas 10 anos, morreu em 05 de fevereiro de 2026, na cidade de Nova Russas, a cerca de 300 quilômetros de Fortaleza, após cair do ônibus escolar do Caminho da Escola que a levava para casa.
A porta do veículo se abriu “sozinha” em movimento.
As causas estão sendo apuradas e a hipótese mais provável é falha na manutenção. Mas diante do fato, fontes ligadas ao Ministério da Educação, disseram ao Diário do Transporte, que itens de redundância para reforço de segurança foram considerados.
MODELOS MAIS SEGUROS, MAS NÃO LIVRES DE EMISSÕES:
Os ônibus escolares nos Estados Unidos são sinônimos de segurança, força e até um símbolo de orgulho do País. Muito comuns de aparecerem em filmes e até produções de Hollywood, os amarelões com cara de caminhão (devido ao cofre do motor avançado para o lado de fora), são tão robustos que, de acordo com reportagens de mídia norte-americana, já foram feitos bunkers e abrigos de ataques antiaéreos com as carrocerias destes ônibus. A sinalização destes veículos é especial e há até regras nas leis de trânsito norte-americanas sobre respeito e prioridade a estes ônibus que devem ser seguidas por motoristas de outros veículos. Apesar de o presidente Donald Trump ter bloqueado verbas para modelos elétricos, os escolares nos EUA entraram para a era dos veículos de emissão zero.
E no Brasil? O transporte escolar é, de uma forma geral, extremamente precário, com ônibus velhos, mal conservados e operações clandestinas. Mas a situação melhorou muito com a adoção, em 2007, do Programa Caminho da Escola, pelo qual, o Governo Federal compra e financia aos Estados e municípios os ônibus escolares. Foram desenhados juntamente com as fabricantes de chassis e carrocerias os padrões com uniformização técnica, sendo atualizados a cada ciclo de licitação.
Atualmente, os veículos estão mais acessíveis e, seguindo as normas Euro 6 para motores a diesel, estão menos poluentes, mas ainda não livre de emissões como nos EUA.
Em parte pela falta de infraestrutura de recarga para baterias nas cidades, pelas condições severas de tráfego e por haver ainda pouca oferta no mercado nacional de ônibus elétricos com padrão escolar: a única fabricante a de fato apresentar um modelo indicado como escolar foi a nacional Eletra, de São Bernardo do Campo (SP), em parceria com a Caio e Mercedes-Benz.
MODELOS E QUANTIDADES
1 ORE 1 Mecânica - 1.700
2 ORE 2 Mecânica - 2.000
3 ORE 3 Mecânica - 2.100
4 ORE 0 4X4 Mecânica - 260
5 ORE 1 4X4 Mecânica - 380
6 ONUREA PA Mecânica - 400
7 ONUREA PB Mecânica – 200
8 ORE 1 Automática - 130
9 ORE 2 Automática -120
10 ORE 3 Automática - 120
11 ORE 1 4X4 Automática – 20
12 ONUREA PA Automática - unidade 20
13 ONUREA PB Automática - 20
TOTAL – 7.470 ÔNIBUS
Tipos de Ônibus (ORE e ONUREA):
- ORE 0 (4×4): Capacidade para 13 estudantes.
- ORE 1: Capacidade para 29 estudantes.
- ORE 1 (4×4): Capacidade para 23 ou 29 estudantes.
- ORE 2: Capacidade para 44 estudantes, com bloqueio de diferencial.
- ORE 3: Capacidade para 59 ou 60 estudantes.
- ONUREA Piso Alto: Capacidade para 29 estudantes.
- ONUREA Piso Baixo: Capacidade para 21 ou 29 estudantes (com acessibilidade).










Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes