Vendas de máquinas agrícolas devem cair 8% em 2026, diz Abimaq



A indústria de máquinas agrícolas deve registrar uma queda de 8% nas vendas em 2026 em comparação com o ano anterior, conforme afirmou nesta quarta-feira (1/4) Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, durante a apresentação da 31ª Agrishow em Ribeirão Preto (SP), devido à valorização do real, alto custo do crédito e cenário geopolítico.

A revisão da projeção da Abimaq, que inicialmente previa um aumento de 3,4% nas vendas, deve-se à ausência de fatores que impulsionem o crescimento do mercado neste ano. No primeiro bimestre de 2026, as vendas já apresentaram uma retração de 17% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Agrishow e o cenário de negócios

A 31ª edição da Agrishow, que ocorrerá de 27 de abril a 1º de maio em Ribeirão Preto (SP), será um termômetro para o setor. Apesar da cautela em divulgar estimativas de vendas para a feira, Estevão e o presidente da Agrishow, João Carlos Marchesan, indicam que as indústrias e bancos estão se preparando para oferecer descontos. No ano passado, a Agrishow registrou uma intenção de negócios de R$ 14,6 bilhões, valor 7% superior ao de 2024.

Marchesan minimizou o impacto do aumento da inadimplência e do número de produtores e empresas do agronegócio em recuperação judicial nos negócios da feira. Ele destacou que as supersafras com alta produtividade compensam parte desses problemas. Contudo, o custo da taxa Selic, com taxas desfavoráveis a investimentos, é um fator que pesa, resultando em recursos do Moderfrota sobrando por falta de interesse dos agricultores em empréstimos caros.

Estevão acrescentou que a restrição na concessão de crédito pelos bancos é um agravante. Enquanto antes um atraso no pagamento não comprometia o crédito, agora um único atraso pode fazer com que o banco considere o cliente incapaz de honrar as parcelas restantes.

Fatores de queda e o cenário de 2025

A valorização do real, que reduz a rentabilidade do agricultor, o alto custo do crédito e o cenário geopolítico, com a guerra no Oriente Médio elevando os preços do diesel e dos fertilizantes, são os principais motivos para a projeção de queda nas vendas.

Em 2025, o setor de máquinas agrícolas registrou um aumento de 8% nas vendas em relação a 2024. Este crescimento foi impulsionado por um aumento de 20% no primeiro semestre, seguido por uma queda de 7% no segundo. A participação dos pequenos agricultores, especialmente nas culturas de café, pecuária e laranja, foi crucial para esse resultado, com o governo incentivando a compra de equipamentos para o segmento.

Por outro lado, a participação do segmento de soja e milho nas vendas diminuiu. Apesar disso, muitos produtores dessas culturas alcançaram produtividades elevadas e estão capitalizados, mesmo com os preços baixos das commodities.

Sobre a eleição presidencial deste ano, Estevão afirmou que não é um fator preocupante para o setor. Segundo ele, em quatro das últimas seis eleições, as vendas de máquinas agrícolas subiram, e em apenas duas caíram. “No fim das contas é tudo bolso: se o bolso do agricultor está cheio, ele não se importa se o governo vai ser de esquerda ou direita”, concluiu.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE





VER NA FONTE